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O assassinato de Maria

06 Set

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Naquela segunda feira não acordei bem, estava de férias, o sol estava radiante, a praia me chamou pra uma caminhada à beira mar. As mulheres pareciam mais lindas do que nunca, parecia até que eu não tinha reparado antes como elas eram exuberantes. O transito da manhã estava calmo, podia ouvir o som das bicicletas se aproximando pela ciclovia, tinha dinheiro suficiente pra fazer qualquer coisa, mas ficava ali na beira do calçadão vendo aquela paisagem, pensando na minha vida, tomando uma caipirinha de manhã, fazendo planos praa tarde. Talvez eu devesse passear ao centro, ir a um cinema ou naquele bar que tanto me convidavam… Sei lá! Estava em paz naquele momento, fiquei meio sem pensamentos. Eram as primeiras férias de verdade que eu tirava em tantos anos. Eu sempre tinha compromissos de trabalho diferentes em férias anteriores, que nem sabia mais o que era ficar sem uma atividade.
Que tal fumar uma maconha agora, pensei. Porra! Fumar maconha! Você esta ficando louco, retruquei.
O que é que tem? Puxar um fuminho agora de manhã, fazer a cabeça, ficar bem leve. Não! Nunca. Decidi.
Acho que eu vou pra casa, posso me render a estes pensamentos e acabar em uma boca de fumo atrás de um erva.
Caminhava de volta pra casa, tranquilamente, apreciando a paisagem da beira mar, engraçado! Como isto é tão diferente quando se anda a pé e sem pressa nenhuma, que maravilha de passeio!
Que tal a gente matar a empregada? Veio à cabeça este pensamento. Caralho eu estou ficando louco mesmo… Que isto! Sou uma pessoa diferente hoje, debatia com meus neurônios. Nunca mais peguei numa faca, nunca mais tive ódio de ninguém, faz muito tempo que eu saí da prisão, a minha vida esta tão organizada agora, porque estas ideias de repente? Relutava comigo mesmo.
A tua vida esta sem emoção, tá uma bosta! Vamos matar a filha da puta! -Você esta me sacaneando, nada vai me fazer isto agora, tente relaxar, já passou, não somos mais assim… Assistia o dialogo interior comigo mesmo, meio sem noção de quem era eu naquele momento.
Cheguei ao centro da cidade após quinze minutos de intensa conversa comigo mesmo, tentando entender porque eu estava pensando daquela maneira. Porra! Já não faz mais sentido.
Entrei no bar e pedi uma cerveja bem gelada, o calor me deixou sedento, sentei a mesa e fiquei vendo um pouco de televisão. O bar estava vazio, só duas mesas ocupadas, mesmo assim pareciam que nem estavam ali, pois o silencio em volta era marcante.
Aquele silêncio. Aquela tela na parede sem graça nenhuma. Foi me dando uma vontade de arranjar uma confusão, fui até a calçada e comecei a encarar os transeuntes, de forma a intimidá-los. Mas porque eu fazia aquilo de novo? Eu me questionava. Será que eu terei uma recaída, não pode ser! Os remédios estão em dia e eu nunca mais vi aqueles dois filhos da puta de novo. Porque esta raiva de repente? Não entendia, sai correndo daquele lugar pra ir embora, peguei um taxi pra chegar mais rápido e não ter que lutar tanto contra os meus pensamentos.
No caminho fui me acalmando, conversei um pouco com o taxista, era um cara bem humorado, me falava de coisas engraçadas, tipo futebol, politica, fofoca de artistas, não me lembro de tudo.
Cheguei ao prédio em dez minutos e logo subi. Totalmente tranquilo. Nem maconha, nem briga na rua, nem assassinatos. Assassinatos! Pensei: A Maria esta em casa! Puta que pariu… Fodeu!
Entrei pela porta de serviço e logo dei uma marretada na cabeça dela com meu martelo que ficava na lavanderia, ela caiu no chão, meio desacordada, dei mais uma, ela gritou, tapei a boca dela com mais uma marretada na boca, alguns dentes saltaram. Vi que ela desmaiara, ainda não estava morta. Fui à cozinha e escolhi a melhor faca que tinha. Amolei-a vagarosamente, sentindo aquele prazer incompreensível saltando pela respiração, o coração batia tão calmo e tranquilo que podia flutuar, era um prazer que tomava conta de todo meu corpo e da minha alma. Podia sentir o sangue correr dentro de mim. Relaxando cada célula do meu corpo que se saciava naquele momento tão esperado depois de tantos anos.

A estratégia

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Cortei primeiro a garganta, o sangue dela espirrava pela área de serviço, eu nem sabia direito o nome completo dela, por dez anos eu apenas ajustei algumas ordens e nunca mais tive do que me queixar do que ela fazia. Parecia uma boa moça. Mas eu não tive culpa, essas pessoas a gente não escolhe, elas aparecem na nossa frente, a circunstancia que escolhe.
Retalhei o restante do seu corpo e coloquei nos sacos de plásticos reforçados que estavam guardados desde a última vez. Tinha trabalho para a tarde toda, enfim. Alguns cuidados eu tive que tomar. Liguei na portaria e perguntei se o porteiro podia ir até a farmácia comprar alguns analgésicos e efervescentes. Disse a ele que a Maria estava passando mal. Pouco tempo depois avisei que ia leva-la pra casa porque ela já tinha melhorado e aproveitaria pra fazer umas compras na região onde ela morava. Sai pela garagem com meu carro de vidro filmado, para que, fosse registrado a sua saída comigo dentro do carro.
Assim que peguei a balsa, coloquei meu carro rente a lateral do guard rail, eu tinha pelo menos 45 minutos pra dar fim naquele corpo, as pessoas sairão do carro pra tomar um café, fumar um cigarro ou tomar um ar e facilitarão o meu trabalho. Em menos de 20 minutos o serviço já estava completo, faltava limpar o apartamento agora.
Passei no mercado e comprei o material necessário pra limpeza. Aquilo me excitava demais. Precisava disto á muito tempo, escolhi o melhor de cada produto. Era a minha reestreia, a cabeça agora fazia planos mirabolantes pra me livrar da policia, estava em êxtase. Não existe crime perfeito, apenas o bem- feito.
Foi assim que peguei alguns anos de cadeia por uma acusação de estelionato e não de assassinato, mais uma vez eu tinha me safado e dessa vez não seria diferente.
O assassinato não é a melhor parte do crime. O melhor vem depois quando tenho que desviar a acusação sobre mim, se por acaso, acharem o corpo. Preciso ser mais inteligente do que a investigação, eliminar qualquer pista que leve a mim e depois rir dos idiotas que não conseguem fazer o seu trabalho direito, não resolvendo o caso de assassinato de uma pobre mãe família.
Eu cheguei por volta das três horas da tarde. Subi com o material de limpeza e comecei o trabalho de tirar todas as possibilidades de ser descoberto, de não haver suspeita alguma contra mim.
A assepsia que eu deveria fazer naquele apartamento demoraria horas, nada melhor do que Mozart ao fundo, cozinhar um pernil com ervas demoradamente e depois abrir aquele vinho de Bordeaux de ótima safra.
Enfim, meu primeiro dia de férias estava sendo muito bem aproveitado. É certo que terei mais atividades durante este período, mas esta sensação maravilhosa de viver intensamente não se tem todo dia… Sei apenas que sou um instrumento muito bem qualificado pra vida contar a história da humanidade.

 
 

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