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Arquivos diários: 07/09/2013

Lápis de cor

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Você é assim…
Tipo lápis de cor,
pinta a minha dor,
as rasuras em mim.

Tipo assim..
Som de nota musical,
harmoniza meu tom,
faz partituras em mim.

Tem gosto de amora,
aroma que me descansa,
uma saudade sem hora,
tipo assim…! Felicidade.

Fantasia que me veste,
enfeita meu viver,
tipo assim…!
Uma folia,
uma festa,
dentro de mim.

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Seres estranhos

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A porta range quando eu entro.
Empurro meu mundo aos cômodos
que me deixam habitar.

Seres estranhos que vivem em mim,
vêm me libertar das estradas
e das suas tocaias.

Deixo fora minhas armas e amarras
Minhas armadilhas e outras moradas.
Escondo minhas pedras sob o tapete.

A porta range quando eu parto,
ensaio súbito, um grito que arde
vestindo armaduras de guerra.

Seres estranhos em mim se aglomeram
tomam posse dos meus rumos
e das minhas entranhas.

Resgato os meus canhões,
a minha mira aguçada,
e um estranho gosto por sangue
na minha cara de marra.

 
 

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Crenças

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Não quero seu deus!
Enfia ele no cu.
Enfia também o seu paraíso,
os seus rituais, seus samurais,
seus ancestrais,
suas rezas,
suas orações,
suas vibrações…
Enfia tudo no olho do seu cu.

Não quero que me chame
pra lugar algum,
pra porra nenhuma.
Macumbas, novenas, cultos
passes, descarrego, louvação
terreiros, benzimentos,
seja lá o que for…
Nada, me interessa.
Deixe-me só.
com meus tormentos.

Eu não tenho educação.
Não quero perdoar.
Não quero acreditar.
Não quero ofertar.
Não quero ajoelhar.
Eu vou me perder por ai.
Foda-se, deixa rolar…
Vá à merda com suas crenças.

Quem (seja lá o que) me criou,
me fez assim (a esmo).
É problema dele,
o que fazer de mim.
Faça como eu,
Cuide de si mesmo,
(eu sei que você pode)
Tente!

 
 

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A verdade não pode ser dita

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Esconda as verdadeiras escrituras
a verdade não pode ser dita,
mantenha o medo e a culpa,
deixe lobos e ratos entre eles.

Mandem rezar, ajoelhar, jejuar…
depois, definhar,
osso por osso,
dia após dia,
cada gota de sangue que escorrer
façam chorar.

Deixem se iludir,
se embriagar,
imaginar terem poder,
achar que devem sonhar,
pensar que podem querer,
depois deixe-os morrer
um a um
-acidentalmente.

Detenha nas grades
os loucos,
os que não sabem
guardar segredos;
retire do ventre
os que conhecem o vento
e podem voar;
Depois, enterrem as palavras,
(sílaba por sílaba)
da linguagem suspeita
que restar.

 
 

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Anáguas

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Esse homem é meu mal,
já me deixou pelas vielas.
Ele vagabunda pelas ruas,
some a noite e me falta.
Ele carece de lucidez,
é meu bem, meu algoz,
minha estupidez,
minha silhueta triste.
Ele me esvazia, me dilui,
vive de mim, da minha sina,
se cala quando eu surto,
me ingere quando uivo.
Ele me veste com anáguas,
remenda minhas falas, meu medo,
me aquece com zelo e mágoa,
por eu saber o seu segredo
Eu lhe sirvo, canto nua.
cuido da sua ferida quando ferve.
Ele me sua, me come crua,
por eu curar a sua febre.
 
 

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Pedaços de voce

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Você me deu
pedaços de você,
me deu
destrezas,
coisas raras,
rodovias.

Me deu paixão,
habilidades
que eu desconhecia
nomeou estrelas
com nossos nomes.

Você partiu
me tirou valentia
deixou bueiros,
buracos negros,
doenças
que eu
não tinha.

Me deu chuvas
chagas na pele,
apatia,
saliva
que amarga,
que ainda
anestesia.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Acordes que eu tinha

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Fui condenado a te amar
naquele olhar,
meu crime foi não saber
ver o mundo fora de você,
não aceitar acordar
sem te ver ao meu lado
e mesmo assim, continuar.

Fui destinado a viver,
naquele adeus,
determinado a tentar te esquecer,
ser metade fora de você,
e refazer minha estrada
sem saber que nada eu faria sem ti.

Fui sentenciado a morrer,
tentando me salvar.
neste apartamento despedaçado…
Sem vida e sem você.

Muitas vezes eu chorei e pensei ter sido rude,
tantas vezes eu tentei dizer como te amei,
(mas eu não pude).
Eu não tenho outra canção, você levou de mim
os acordes que eu tinha, a voz que cantava
e os versos que se perderam
sem serem cantados e não saberem
o quanto valem
mas só os que amam
e os loucos sabem.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Crianças mimadas

1185871_619527541424757_2063883708_nVocê é eternamente responsável pelo que cativa.
A. S. Exupéry (autor de O Pequeno Príncipe)

Durante algum tempo eu fui adepto a esta frase e até achei que sim, que era minha, a responsabilidade das loucuras e ilusões dos outros por causa das minhas ações.
Felizmente, isso faz parte do passado, não penso mais assim e previno a quem lê este artigo a também se livrar disso imediatamente.
Essa frase é até bonitinha, mas totalmente, ordinária. Ela responsabiliza (culpa) nosso comportamento e a forma humana de viver, como se fosse crime ser o que naturalmente somos e deixar de ser a expectativa infantil que os outros desejam que fossemos. É mais uma má interpretação cega da mente humana, que tem esta mania infeliz, de julgar tudo e todos, mas não é julgada por nada, nem mesmo pelas atrocidades que faz para nos distanciar, cada dia mais, da nossa verdadeira natureza divina.
Somos responsáveis por nós mesmos, que mais?! O outro é só um instrumento do nosso exercício diário, aquele que vai mostrar nossos defeitos e os limites que devemos vencer. (se quisermos…)
Essa frase quer culpar o outro se ele não nos agrada, pois ele deve sempre apoiar a ilusão de sermos eternamente a mesma merda. Pobres crianças mimadas, nós somos! Que evolução do caralho é essa?!
Esta frase é muito boa para as crianças que estão em fase de aprendizado e ainda não conseguiram ver em si mesmo a possibilidade de superar os obstáculos que a vida irá lhes dar e exigir que se faça alguma coisa por si mesmo, simplesmente para ativar sua capacidade de superação.
O único instrumento que a vida tem, para este desígnio, é o convívio humano. Ninguém é uma ilha e vive neste mundo para ser preservado das dificuldades que viver traz em si. Se este fosse o caso, seria melhor ter ficado no pinto do teu pai para não poder culpar (responsabilizar) “o outro” pelas paixões que é preciso experimentar enquanto se vive.
Pare de chorar e de atribuir ao seu próximo, o dever dele te fazer feliz, essa responsabilidade será sempre sua. Aprenda a amá-lo de verdade, não de mentirinha. Aceitando-o como ele é e não tentando transformá-lo em um objeto particular do seu egoísmo.

Acorda, ser humano!

 
 

Novelos de lã

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Tenho me pintado
de cores diversas,
feito festas,
enchido balões,
corrido às gavetas:
a zelar por teus versos,
dispersos…
em teus resíduos.

Tenho me esbarrado
em objetos com tuas digitais
em noites tuas de insônia
com teu olhar noturno,
…infinitamente distante,

Tenho tropeçado
em teus novelos de lã
guardado meus punhos
nos teus movimentos,
…presos na tua partida.

Tenho acendido lanternas
a procurar teus sonhos imersos
confundido teus passos incertos
e me perdido entre estrelas.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Cataventos

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Vem bagunçar minha vida,
borrar minhas agendas,
desarrumar minha história.
Tirar minhas camisas de força
rir de mim,
das besteiras que acredito,
das coisas que quero
arrumadas e tristes.

Vem me ensinar a dançar,
falar mandarim,
tirar uma tarde de mim
pra ver o sol se por,
deitar na grama,
fazer esquecer
meu riso sofredor
e anêmico.

Vem, às avessas,
na contra mão,
na escuridão da tempestade
retirar de mim,
o mofo do coração
a rigidez das palavras
que me acorrentam
à minha insensatez

Vem jogar coisas fora
entulhos do passado,
sonhos soterrados
que ainda zelo.

Vem me tirar o chão,
fazer voar, me fazer de tonta
reinar em mim.
Destruir meu castelo
de faz de conta.

Vem ventilar
meus cataventos,
pintar meus olhos de arco íris
que eu prometo te deixar partir
quando eu descobrir
que não sou capaz
de te ver feliz
no mesmo tanto
que me verei
junto a ti.

 
 

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