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Arquivos diários: 10/09/2013

Medo de errar de novo

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Tantas coisas cabem nos meus olhos,
e tão poucas no coração.
Um mural de fotos velhas,
horizontes que me estimulam viver,
mentiras que um dia foram verdades
alguns amores
que foram ficando
e não souberam partir.
Lembranças que eu preservo
com medo de me esvaziar.

Tantas coisas já habitaram meu coração
e tão poucas ficaram,
o ódio de ser tão frágil,
o sereno nas calçadas que pisava
sem precisar chegar.
Pequenos desafios
que venci inutilmente
e essa vontade
de querer aplumar meus passos,
com medo de errar de novo.

Tantas coisas moram dentro de mim,
movem-se nos meus sonhos e
ajustam meus braços pra alcançar.
Batem no peito com mais força
e ensinam esperar
a hora certa de chorar,
a luta certa pra vencer,
a pessoa certa pra sorrir,
e o chão seguro pra me levar.

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Publicado por em 10/09/2013 em incentivo, POESIA

 

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Eu sou aquilo

         093765C592274A918181E40CD65A8B67                                                                                                             Dedicado a Nisargadata Maharaj.

Quem sou eu?

Essa resposta exige uma cisão e aquilo que sou não se separa.
Essa indagação vem da mente que se hospeda naquilo que sou e que por sua natureza é mensuradora.
Ela procura os limites de tudo pra caber no seu entendimento.
A mente não sou eu. Aquilo que sou se basta em si mesmo. Já é suficiente ser.
Não tem começo nem fim, não tem forma em si, apenas dá imagem, sentidos e consciência como pensamentos, representado por um eu ilusório que se elege como um objeto sensitivo.
Se fosse possível eu ser algo eu estaria preso à forma, mas a essência daquilo que sou é livre, simplesmente é.
-Vida e morte-Tempo e espaço- Começo e fim- Deus e universo- Dualidade e unidade – Eterno e temporal- Infinito e finito
Todas essas questões não são questões que dizem respeito àquilo que sou, são apenas questões da mente, que se cria nas formas e que por ter tido um começo tem, obviamente, um fim.
Aquilo que sou é consciência desta mente neste aparelho humano, que por um processo ilusório, (arvore do conhecimento) tem se identificado com ela desde o seu nascimento. O entendimento de que eu não sou isso, é o morrer para ganhar a vida eterna, é a simbologia do batismo, o retorno ao paraíso, etc…
Sendo ela, parte do manifesto ilusório e impermanente, cria no reino humano crenças de continuidade por temer o seu fim.
Céu e inferno, reencarnação e evolução, samadhi, nirvana, satori, despertar espiritual, iluminação e outras formas de manutenção da sua identidade são estados pretendidos a sobreviverem à morte como um espirito ou alma para dar continuidade a sua existência (A ilusão de estar separado e de existir como uma mente que luta por sua subsistência e individualidade).
Nenhuma resposta para estas perguntas trará uma verdade em si. Apenas uma verdade individual e interpretativa que apontará probabilidades e subtrairá a paz e o silencio de ser simplesmente o que se é. Sem nada ter que precisar e apenas ser o viver.
A mente é construída com esses moldes no aprisionamento das suas indagações, entre os limites da sua expressão para ser apenas um instrumento de percepção. Aquilo que sou não pode estar em um limite compreensivo, simbolicamente pode apenas ser apontado como o aqui agora consciente, mas até em ser apontado como algo se perde, pois a seta e o caminho acontecem ao mesmo tempo naquilo que sou.
Não pode ser definido, porque o agora abrange o tudo e o nada. O aqui agora é livre de todas essas questões e não se revela com respostas nem com significados porque não tem perguntas, nem é possível de averiguação porque não existe o que possa averiguá-lo.
Naquilo que sou se hospeda um conhecedor e dentro dele surge o universo, paraíso e inferno; dentro e fora; o ser e o nada. A natureza daquilo que sou é subjetiva e não tem definição, não tem objetivo, porque não tem aonde chegar, os lugares é que chegam a ela. Não tem evolução, porque não tem o que conquistar, não tem ao que pertencer e nem algo a querer pertencer. Por não poder em nada se saciar esta livre do desejo, pois é saciável em si mesmo. Por isso é chamada a Testemunha silenciosa do eterno deleite.

Onde você esta? -Aqui.
Que horas são? -Agora.
O que você é? -Este momento.

A LOUSA DO ZEN BUDISMO,
Tradição que existia ao se trocar de Patriarca.

“O corpo é a árvore de Bodhi, (desperto, iluminado,)
A mente é um espelho brilhante.
Com cuidado a limpamos continuamente,
sem deixar que o pó acumule”.

Hui Neng, retrucou e elegeu-se o Patriarca, respondendo:

“Bodhi* não é uma árvore,
nem a mente um espelho brilhante.
Já que tudo é vazio em essência,
onde pode o pó acumular?”

 

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Avarias do meu ser

xx_142_by_scarabuss

Eu nem sabia!
temia ser:
as tuas mãos.
E da luz dos teus olhos
irradiarem
os meus dias.

Eu nem podia
(sendo incerto)
hospedar-me em ti,
sendo eu,
velejador de ventos hostis,
declarar o amor que havia.

Nem mesmo tinha,
em meio a ermos horizontes,
caminhos dentro de mim
e em teus casulos percorri
as avarias do meu ser.

 
 

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