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Consciência identificada

13 Out

Parte 01- O paraíso perdido1185163_691774850836824_713265484_n

Em verdade somos todos consciência universal, presença consciente que é una e estável. Não dê nomes ou titulos a isso, apenas sinta essas palavras. Foi por darmos nomes e reconhecimento ao todo que o fragmentamos e criamos a separação em que achamos viver como seres humanizados.

Não somos seres separados em essência, somos seres iludidos em sê-lo, somos seres que abrigam um ego (Eu) que nos aprisiona aos seus sentidos.

Somos em maioria criaturas envolvidas num processo de identificação com esse instrumento e nem nos passa pela cabeça questioná-lo, ver de perto sua falsidade.

Ramana Mararshi dizia: – O Eu remove o eu e ainda assim permanece o Eu. (note as letras Maiúsculas e minúsculas), o que ele queria dizer com isso? Bem, vamos a minha interpretação.

O eu minúsculo é a nossa consciência humana, aquilo que chamamos de um ser humano, composto de mente e corpo. Aquele que lê este texto agora. Porém se você olhar com mais atenção verá que ele é falso, esse eu minúsculo é só um aparelho dotado de sentidos que se separa do mundo e ao fazê-lo (como faz agora) nos aparta do real universo, fazendo nos sentir criaturas que estão em constante atrito com o meio em que vive, pois viver é um processo de sublimação da identidade, todos queremos alcançar o topo e ser premiado como melhor que o outro.

Lutamos e suamos a vida toda para dar um troféu a um fantasma.

Esse eu não tem realidade, ele só pode existir na presença de algo que o valide, no caso em questão aquilo que Ramana chama de Eu maiúsculo. Vou tentar explicar melhor, pois a todo tempo somos este Eu e não nos damos conta disso.

Tudo que existe em realidade é este estado de Presença consciente, só essa presença pode não ser observada e ao mesmo tempo é só isso que pode observar. Se você olhar atentamente verá que seu corpo e mente (pensamentos) são observados o tempo todo por essa presença consciente.

Aquilo que olha não pode ser olhado, pois é a fonte conhecedora, o sujeito da ação na relação sujeito e objeto. Pensamos ser o corpo o sujeito da ação, pois parte dele os sentidos, mas desconsideramos o fato que ele pode ser olhado, o que o torna objeto. Vivemos a vida toda pensando ser um objeto visto e não nos apercebemos ir em busca do vedor (aquilo que vê) mas se acaso partimos em busca disso, logo veremos a falácia em que nos metemos, pois qualquer ação em busca dessa presença necessitará obviamente de algo (outro) que o veja, mas deixe-me lembrá-lo: só isso pode ver e não pode ver-se a si, o conhecedor nunca torna-se conhecido, pois ao tentar fazê-lo estaria no mundo objetivo, o mundo das formas manifestas e impermanentes, mas o conhecedor não esta nas formas, não esta no tempo, nem mesmo no espaço, antes ele é o espaço onde acontece o manifesto.

Neste mesmo momento o eu menor esta lendo essas palavras confortavelmente como se o ego fosse outra coisa, quando na verdade ele é o próprio ego. Não se deixe enganar! Ele aprisionou a consciência universal e a transformou em uma consciência individualizada. Ele esta escondido no ultimo lugar que você (consciência universal) iria procurá-lo.

Então como resolvemos essa equação? Essa pergunta é fundamentada pelo pequeno eu, ele é que esperneia contra esse pensamento, aquilo que este eu faz é tomar lugar do Eu e o faz com primazia, tanto que somos todos convencidos em sermos ele aquilo que existe em realidade e não sermos aquilo que ilumina a sua ilusória história de existencia.

Antes da darmos continuidade a esse raciocínio vamos contar a estória de Adão e Eva no olhar do Advaita (não dualidade), talvez ajude a entender melhor a conclusão do texto.

Adão e Eva viviam no paraiso, estado de não dualidade ou seja estado de unidade, todos estavam neles e eles estavam em todos, o todo se fazia presente em todos, citando a biblia “aquilo que Deus uniu, o homem não separa” , “ eu sou o eu sou” traduzindo, não sou algo na objetividade, não sou alguma coisa, sou o eu sou, nada mais existe além de mim, se eu fosse algo objetivo perderia de imediato minha natureza subjetiva e experimentadora.

Eles viam todas as coisas como parte e extensão de si mesmo, viviam em comunhão com tudo que testemunhavam, sendo e existindo em unidade com o percebido. Todas as coisas eram integradas e integrantes de um mesmo Ser, todos eram um. Havia apenas uma recomendação dada por Deus (A junção espiritual e criadora, a união de todas as unidades percebedoras em um) “Voces podem comer todos os frutos do paraiso, menos o fruto da arvore do conhecimento”

Adão e Eva não acataram essa recomendação e foram até essa arvore para ver de perto o motivo desta proibição e ao chegarem lá depararam-se com a serpente, a tentação em forma objetiva

-Deus não quer que vocês comam a maça pois ao comê-la tornar-se-ão como Deus, saberão todas as coisas.

Eles não resistiram ao argumento da serpente e cederam, comeram o fruto da arvore proibida e ao comê-la foram expulsos do paraiso. Mas não foram expulsos aos pontapés ou por truculência, sentiram-se envergonhados ao olharem-se separados um do outro. Viram-se nus ao herdarem uma identidade pessoal. Todos eram um antes e todos se viam em um, não havia discriminação nem separação em existir, mas ao comer a maça foram invadidos pelo sentimento da

individualidade, esse era o real motivo da proibição.

Existindo separados no mundo e por se sentirem individualizados, começaram a dar nomes as coisas que percebiam, vendo todas as coisas separadas e modificando-se num mundo de impermanencia. Até que se deram conta da dualidade, do prazer e da dor, do frio e do quente, da noite e do dia e finalmente ao verem uma flor murchar, secar e morrer, da vida e da morte.

Este é o nosso mundo! O mundo objetivo que nos ilude a participarmos. Toda nossa meta é voltada para separarmos tudo de tudo, veja que nossa forma de estudar este mundo consiste em separamos formas, conceitos, classes, opiniões, tempo-espaço e todo tipo de percepção. A geografia separa espaços, delimita territórios, separa povos, etnias ,sociedades… A matematica separa numeros, fórmulas, equações… A ciencia separa átomos, elétrons, sub-partículas. A medicina separa órgãos, moléculas, células, etc…

Toda a vida humana existe por separatividade em todos os segmentos possíveis, pois por sermos identidades separadas uma das outras, desagregamos tudo que se junta por ser nossa natureza.

Eis a função do pequeno eu (aquele que comeu a maça) aquele que pensamos ser, aquilo que queremos presevar mais que tudo, achando que quanto mais isolados estivermos menos risco teremos em viver. Este fantasma que é o criador da dualidade, do tempo e do espaço fisico é aquilo

que nos faz sofrer todas as vicissitudes de existirmos apartados de Deus.

 
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Publicado por em 13/10/2015 em POESIA

 

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