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Arquivo da Categoria: POESIA

Civilização sem rumos

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e me deixaram aqui.
nunca saberei os seus rumos
nem dessa gente que partiu
sem ter pra onde ir.

Ficou a terra que me cabe
e sabe da minha espera,
dos anseios de navegar
e da semente que não vinga
nem sabe o que há de vir

Vou seguir viagem
aos braços das marés,
e o anjo que me guarda
me livrará nas ventanias
do desejo humano em ferir

Marcos tavares

 
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Publicado por em 23/10/2015 in POESIA

 

Consciência identificada

Parte 01- O paraíso perdido1185163_691774850836824_713265484_n

Em verdade somos todos consciência universal, presença consciente que é una e estável. Não dê nomes ou titulos a isso, apenas sinta essas palavras. Foi por darmos nomes e reconhecimento ao todo que o fragmentamos e criamos a separação em que achamos viver como seres humanizados.

Não somos seres separados em essência, somos seres iludidos em sê-lo, somos seres que abrigam um ego (Eu) que nos aprisiona aos seus sentidos.

Somos em maioria criaturas envolvidas num processo de identificação com esse instrumento e nem nos passa pela cabeça questioná-lo, ver de perto sua falsidade.

Ramana Mararshi dizia: – O Eu remove o eu e ainda assim permanece o Eu. (note as letras Maiúsculas e minúsculas), o que ele queria dizer com isso? Bem, vamos a minha interpretação.

O eu minúsculo é a nossa consciência humana, aquilo que chamamos de um ser humano, composto de mente e corpo. Aquele que lê este texto agora. Porém se você olhar com mais atenção verá que ele é falso, esse eu minúsculo é só um aparelho dotado de sentidos que se separa do mundo e ao fazê-lo (como faz agora) nos aparta do real universo, fazendo nos sentir criaturas que estão em constante atrito com o meio em que vive, pois viver é um processo de sublimação da identidade, todos queremos alcançar o topo e ser premiado como melhor que o outro.

Lutamos e suamos a vida toda para dar um troféu a um fantasma.

Esse eu não tem realidade, ele só pode existir na presença de algo que o valide, no caso em questão aquilo que Ramana chama de Eu maiúsculo. Vou tentar explicar melhor, pois a todo tempo somos este Eu e não nos damos conta disso.

Tudo que existe em realidade é este estado de Presença consciente, só essa presença pode não ser observada e ao mesmo tempo é só isso que pode observar. Se você olhar atentamente verá que seu corpo e mente (pensamentos) são observados o tempo todo por essa presença consciente.

Aquilo que olha não pode ser olhado, pois é a fonte conhecedora, o sujeito da ação na relação sujeito e objeto. Pensamos ser o corpo o sujeito da ação, pois parte dele os sentidos, mas desconsideramos o fato que ele pode ser olhado, o que o torna objeto. Vivemos a vida toda pensando ser um objeto visto e não nos apercebemos ir em busca do vedor (aquilo que vê) mas se acaso partimos em busca disso, logo veremos a falácia em que nos metemos, pois qualquer ação em busca dessa presença necessitará obviamente de algo (outro) que o veja, mas deixe-me lembrá-lo: só isso pode ver e não pode ver-se a si, o conhecedor nunca torna-se conhecido, pois ao tentar fazê-lo estaria no mundo objetivo, o mundo das formas manifestas e impermanentes, mas o conhecedor não esta nas formas, não esta no tempo, nem mesmo no espaço, antes ele é o espaço onde acontece o manifesto.

Neste mesmo momento o eu menor esta lendo essas palavras confortavelmente como se o ego fosse outra coisa, quando na verdade ele é o próprio ego. Não se deixe enganar! Ele aprisionou a consciência universal e a transformou em uma consciência individualizada. Ele esta escondido no ultimo lugar que você (consciência universal) iria procurá-lo.

Então como resolvemos essa equação? Essa pergunta é fundamentada pelo pequeno eu, ele é que esperneia contra esse pensamento, aquilo que este eu faz é tomar lugar do Eu e o faz com primazia, tanto que somos todos convencidos em sermos ele aquilo que existe em realidade e não sermos aquilo que ilumina a sua ilusória história de existencia.

Antes da darmos continuidade a esse raciocínio vamos contar a estória de Adão e Eva no olhar do Advaita (não dualidade), talvez ajude a entender melhor a conclusão do texto.

Adão e Eva viviam no paraiso, estado de não dualidade ou seja estado de unidade, todos estavam neles e eles estavam em todos, o todo se fazia presente em todos, citando a biblia “aquilo que Deus uniu, o homem não separa” , “ eu sou o eu sou” traduzindo, não sou algo na objetividade, não sou alguma coisa, sou o eu sou, nada mais existe além de mim, se eu fosse algo objetivo perderia de imediato minha natureza subjetiva e experimentadora.

Eles viam todas as coisas como parte e extensão de si mesmo, viviam em comunhão com tudo que testemunhavam, sendo e existindo em unidade com o percebido. Todas as coisas eram integradas e integrantes de um mesmo Ser, todos eram um. Havia apenas uma recomendação dada por Deus (A junção espiritual e criadora, a união de todas as unidades percebedoras em um) “Voces podem comer todos os frutos do paraiso, menos o fruto da arvore do conhecimento”

Adão e Eva não acataram essa recomendação e foram até essa arvore para ver de perto o motivo desta proibição e ao chegarem lá depararam-se com a serpente, a tentação em forma objetiva

-Deus não quer que vocês comam a maça pois ao comê-la tornar-se-ão como Deus, saberão todas as coisas.

Eles não resistiram ao argumento da serpente e cederam, comeram o fruto da arvore proibida e ao comê-la foram expulsos do paraiso. Mas não foram expulsos aos pontapés ou por truculência, sentiram-se envergonhados ao olharem-se separados um do outro. Viram-se nus ao herdarem uma identidade pessoal. Todos eram um antes e todos se viam em um, não havia discriminação nem separação em existir, mas ao comer a maça foram invadidos pelo sentimento da

individualidade, esse era o real motivo da proibição.

Existindo separados no mundo e por se sentirem individualizados, começaram a dar nomes as coisas que percebiam, vendo todas as coisas separadas e modificando-se num mundo de impermanencia. Até que se deram conta da dualidade, do prazer e da dor, do frio e do quente, da noite e do dia e finalmente ao verem uma flor murchar, secar e morrer, da vida e da morte.

Este é o nosso mundo! O mundo objetivo que nos ilude a participarmos. Toda nossa meta é voltada para separarmos tudo de tudo, veja que nossa forma de estudar este mundo consiste em separamos formas, conceitos, classes, opiniões, tempo-espaço e todo tipo de percepção. A geografia separa espaços, delimita territórios, separa povos, etnias ,sociedades… A matematica separa numeros, fórmulas, equações… A ciencia separa átomos, elétrons, sub-partículas. A medicina separa órgãos, moléculas, células, etc…

Toda a vida humana existe por separatividade em todos os segmentos possíveis, pois por sermos identidades separadas uma das outras, desagregamos tudo que se junta por ser nossa natureza.

Eis a função do pequeno eu (aquele que comeu a maça) aquele que pensamos ser, aquilo que queremos presevar mais que tudo, achando que quanto mais isolados estivermos menos risco teremos em viver. Este fantasma que é o criador da dualidade, do tempo e do espaço fisico é aquilo

que nos faz sofrer todas as vicissitudes de existirmos apartados de Deus.

 
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Publicado por em 13/10/2015 in POESIA

 

PRESENÇA

Eu sou o estado presente,538281_359126497468395_1936685096_n
nada mais é..
todo o resto é presenciado
todo o universo existe diante dessa presença
todo manifesto é exposto a essa presença

eu sou o espaço consciente
onde tudo acontece
nada poderia acontecer se não
fosse em frente a essa presença

nada existe sem algo que o presencie
tudo que é visto só é visto por isso,
eu sou a consciência presente em tudo que se manifesta
no manifesto tudo pode acontecer eu não me importo
galaxias podem explodir
maremotos podem destruir
terremotos pode vir e ficar ao seu tempo
não sou eu quem vive
nem há alguém quem viva
não há ninguém vivendo
tudo é visto na presença consciente
sem ser o acontecimento vivido.

o corpo vem e vai
a mente vem e vai
nada fica,. Tudo passa pela minha presença
não há nada a fazer não há nada para evoluir
não há nada a realizar,
tudo que se manifesta
não sou eu
sou imanifesto
a presença que nunca se ausenta
mas que nunca aparece

tudo que aparece desaparece diante do meu estado de presença
não tenho corpo, nem forma, nem alteração, nem movimento
só um estado de pura consciência, diante da cada acontecimento,
todo acontecimento pode vir, ficar e partir
todo pensamento pode vir, ficar e partir
e tudo é assim, menos a presença diante disso

sou a presença que não se presencia
o observador que não é observavel
inabalavel, invisivel, inalteravel, imutavel,intocavel…
sou ideias ilusórias de um ser que é ninguem
me enamorei com as formas e brinco
no tempo e no espaço
na profundidade, tridimensionalidade, medidas irreais
pensando ser alguem…

de mim nada pode ser dito
nem mesmo assimilado,
nem mesmo localizado,
antes, tudo se localiza em mim
antes, tudo vem a mim
diante da minha presença
eu percebo tudo
experimento a vida, a morte
sem nunca ter nascido,
vivido ou morrido.

 
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Publicado por em 26/09/2015 in POESIA

 

Só você

Só você me deu                                                                                 tumblr_ld4nynofmK1qeaaw0o1_500
Amor como mordidas
Calcinhas pra dormir
E braços pra sonhar

Só você me tocou assim
Do jeito de um devasso
Me virou pelo avesso
me amou até se lambuzar

Só você me deu manjar
Adoçou a minha língua
Cobriu meus pés quando dormia
Me deu o ombro pra chorar.

Só você me arranhou
Deixou marcas de paixão
Fez seu cheiro me viciar
Me delirar com seu sabor

Só você me enfeitiçou
Me rendeu em meus vestidos
Fez poemas de amor
Me deu o colo pra descansar.

.

 
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Publicado por em 25/04/2015 in POESIA, sensual

 

Passarela de tolos

Já não tenho mais saco para pessoas amarguradas150143_416729135011816_1477555361_n
aquelas que não sabem se perdoar
que culpam o mundo por não ter sido melhor para elas
que condicionam sua felicidade,
atrelada aos seus sonhos estúpidos

Já não consigo sentar na mesma mesa de bar
dos idiotas anestesiados pela imagem de si
pessoas estéticas que não se aceitam como são
que buscam prêmios idiotas
por suas proezas desvalidas,

O que eu quero é rir das minhas cagadas
gargalhar, até doer o estomago, das besteiras que fiz
e me aceitar como sou, interagir com minha fragilidade
com todos os meus defeitos e derrotas
e por fim deixar sair toda a magoa
que ganhei inutilmente por me imaginar um dia
ser um fantoche de uma passarela de tolos.

 
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Publicado por em 24/07/2014 in estar no mundo, POESIA

 
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Coração partido

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Mania de amar demais

Essa mania de amar demais!                              1208929_537492662986663_27477682_n
de me atirar,
não ver o fundo de nada
ter no mundo o zelo
por coisas que doem…

Essa mania de vigiar as nuvens
de viajar pelo infinito
sem saber pra onde ir
quando as estrelas me contam
de tão longe que elas brilham.

Essa vontade de viver sem cais,
Sem rumos e malas,
Sem assento ao mar
e a imensidão que me rodopia
me fazendo ser seu par.

 

 
 

Quando amanhece

Tento fazer do meu chão                                       images (42)
minha oração,
meu medo não é tão óbvio
as vezes parece até coragem
…uma roupagem
que se disfarça.
Este mundo não é meu,
ele me perdeu,
tento reencontrá-lo
quando nos meus sonhos
me encanto por habitá-los.
Dentro dos meus olhos
tem uma vida que se fere
braços que viram concreto
e mãos que limpam o lodo
quando amanhece.

 
 

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Ver você me iluminando

Tudo que eu seitumblr_m83kisoMUc1rbo2fco1_400
é que você faz uma coisa
diferente no meu coração,
…um estopim que me acende,
incendeia tudo lá dentro.

Quando você aparece
explode uma coisa lá no fundo
que não para de pulsar,
faz um reboliço
que bagunça tudo,
e faz do meu mundo
um lugar pra brincar.

Só eu sei como é bom acordar
e saber que existe alguém
que bate no meu peito
e vai dando claridade,
que nada me faz tão bem
do que me olhar lá dentro
ver você me iluminar
a me dar felicidade.

 
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Publicado por em 09/06/2014 in POESIA, sobre o amor

 

Arlequim

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 Quando eu fui criança,
todas as coisas eram poesias
todas as palavras eram ingênuas, indefesas
não sabia o que era falta,
não precisava ser preenchida,
de coisas que se perdiam com o tempo.

Depois o mundo foi corrigindo minhas falas
tornou-me silenciosa, defensiva
insuportavelmente triste
tão apática diante das cores
que nem mesmo o arco-íris
que um dia me habitou
foi capaz de sobreviver,

Ao ser criança,
todos os caminhos eram destino
toda dúvida era inofensiva,
todo amanhecer era novo, tinha vida
tanto que minha íris se engrandecia
diante de qualquer motivo
depois o mundo cerrou meus olhos
e aquilo que era tão grande
tão imenso e descabido
ficou pequeno neste horizonte
desabitado de arlequim,
sem nada mais pra rimar em mim.

Marcos tavares