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Arquivo da Categoria: desilusão

Bola de cristal

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Desbastei ervas daninha,
e preparei o cio do jardim.
Adubei o caule das orquídeas
e esperei…
a declaração da chuva,
-à tua espera me pintei.

Pontilhei o caminho
com laços e flores.
Escrevi pelo chão
versos da nossa canção
e descansei meus braços
pra te abraçar.

Desenhei em sofreguidão
(em tela acetinada)
teu sorriso entre lírios
e névoas da manhã.
Esperei até amanhecer.
…Mas você não veio.

Minha bola de cristal
Nublada em minhas mãos
apontava mares desconhecidos,
impossíveis de te encontrar.
Com meu terno novo,
voltei ao jardim.
…À tua espera eu chorei.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Digitais

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Faltou algo pra falar,
eu só vi quando ruía,
suas palavras foram frias,
nem pensei que fossem tuas.

Eu não vi os teus sinais,
hesitei quando sonhava,
nos meus olhos procurei,
os caminhos que eu já não tinha.

Vai doer quando eu lembrar,
não saberei porque lutei,
não direi o que perdi,
deixarei apenas digitais.

Faltou algo pra doer,
enfrentarei quando vier,
vou lutar como puder,
saberei se for pior.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Jeito bobo de amar

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Sempre fui assim, singular,
com um jeito bobo de amar.
Sem habilidade pra sonhar.
Tenho sapatos pra dançar
e uma certeza na valsa:
Vivo só.

Sempre fui assim, fácil de chorar,
com um encanto matinal no espelho,
que me faz pensar ser atriz
e prosseguir descalça.
Coisa doida de entender!
Ter vontade de fingir ser feliz:
Sendo só.

Sempre morei sem mim,
vestida de chuva,
hóspede de um inverno triste,
vida dura de passar!
Uma vontade de esquecer seu nome
não mais existir,
me esparramar no capim:
Seguir só.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Palavras de amor

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Toda paixão embolora,
deixa solidão, leva felicidade,
faz estragos lá dentro
quando vai embora

Toda paixão desestrutura,
muda nossos rumos, subjuga,
decide de repente desagregar,
ser insensata, criar ruptura.

Toda paixão desafora,
acaba em si mesmo,
impõe outra realidade,
embriaga de saudade
e nos devora.

Toda paixão é letal
amesquinha, desarvora,
faz perder o chão,
vai definhando o coração,
como um temporal.

Toda paixão é vendaval,
desconhece o amanhã,
se encanta por outras canções
e parte sorrateira, deixando
os nossos olhos distantes
se perderem em horizontes,
junto com pingos de chuva
que escorrem pela janela,
esperando amanhecer
e deixar de doer.

Toda paixão pode voltar,
num olhar mais demorado,
nas cores vivas de um cetim,
em coisas imprevistas, banais,
como os versos de uma melodia
ou a pele perfumada de um abraço,
sentido sem querer

Cuide com zelo,
pode ser amor
e querer ficar,
curar danos antigos,
encontrar as palavras de amor
que se perderam
lançadas ao chão repartidas,
desalinhadas sem perceber,
por ilusões que ainda doem
em paixões que já partiram.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão

 

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Parte de mim

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O que ficou nos olhos,
ficou também no vão
da garganta.
Ficou na penumbra
do nosso chão.
No limite do abismo,
na fala que eu já não tinha

Ficou espatifado
pelos cantos do coração
que ainda batia,
pelos poros, pelas sombras,
pela falta de razão de viver,
de existir ainda
algo de mim.

O que doeu no peito,
doeu também
nas portas das manhãs
(que ficaram frias),
entreabertas
pela decisão da vida,
de tirar você de mim,
de não saber
por onde recomeçar,
por você não ser mais
parte de mim.

Doeu o rude olhar de adeus,
que adiei assimilar,
tive medo de chorar
e me somar ao chão,
ser pedaços de algodão
misturado aos travesseiros.

Não pude,
me olhar sem ti
enfrentar o medo
de abrir a porta
e não ter ninguém.
e apenas ver
esse pedaço de mim,
que sobreviveu

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Pedaços de voce

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Você me deu
pedaços de você,
me deu
destrezas,
coisas raras,
rodovias.

Me deu paixão,
habilidades
que eu desconhecia
nomeou estrelas
com nossos nomes.

Você partiu
me tirou valentia
deixou bueiros,
buracos negros,
doenças
que eu
não tinha.

Me deu chuvas
chagas na pele,
apatia,
saliva
que amarga,
que ainda
anestesia.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Acordes que eu tinha

negras lindas

Fui condenado a te amar
naquele olhar,
meu crime foi não saber
ver o mundo fora de você,
não aceitar acordar
sem te ver ao meu lado
e mesmo assim, continuar.

Fui destinado a viver,
naquele adeus,
determinado a tentar te esquecer,
ser metade fora de você,
e refazer minha estrada
sem saber que nada eu faria sem ti.

Fui sentenciado a morrer,
tentando me salvar.
neste apartamento despedaçado…
Sem vida e sem você.

Muitas vezes eu chorei e pensei ter sido rude,
tantas vezes eu tentei dizer como te amei,
(mas eu não pude).
Eu não tenho outra canção, você levou de mim
os acordes que eu tinha, a voz que cantava
e os versos que se perderam
sem serem cantados e não saberem
o quanto valem
mas só os que amam
e os loucos sabem.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Novelos de lã

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Tenho me pintado
de cores diversas,
feito festas,
enchido balões,
corrido às gavetas:
a zelar por teus versos,
dispersos…
em teus resíduos.

Tenho me esbarrado
em objetos com tuas digitais
em noites tuas de insônia
com teu olhar noturno,
…infinitamente distante,

Tenho tropeçado
em teus novelos de lã
guardado meus punhos
nos teus movimentos,
…presos na tua partida.

Tenho acendido lanternas
a procurar teus sonhos imersos
confundido teus passos incertos
e me perdido entre estrelas.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Rimas Aflitas

foto blog

O escurecer da noite
dando heresias
nos sonhos,
bicas revelando
restos de chuva.
Avesso à vida,
eu retalho fotografias.

Vontade de explodir em silabas,
de criar linguagens passageiras.

Vontade de adormecer
em seus olhos ingênuos, serenos, distantes…

O desespero da noite
sendo trampolim
ao desconhecido,
o coração é quem dita,
cartas de amor
com rimas aflitas.

Se eu pudesse decidir
o meu atenuante,
eu me arrancava de ti
sem requerer partilha.

Se eu pudesse, por um instante
amar alguém novamente
esse alguém seria você,
…sempre serei seu
completamente.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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O seu castigo

chuva na janela (1)

Tenho desejo desse vinho
que você engole
em insensatez,
com tanta sede e impaciência,
com pressa de embriaguez
pra intimidar o meu silencio.

Tenho medo deste vicio
(que abuso).
Essa mania de gostar
dos calafrios das estradas
que não sabem pra onde vão
e podem me levar,
desfazer nossos caminhos
sem avisar.

Tenho marcas no corpo
das asperezas das tuas mãos
que me esfregam com raiva
em sofreguidão
por eu ser a sua morada
(sua gestação)
a única escolha
que te restou.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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