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Arquivo da Categoria: estar no mundo

Passarela de tolos

Já não tenho mais saco para pessoas amarguradas150143_416729135011816_1477555361_n
aquelas que não sabem se perdoar
que culpam o mundo por não ter sido melhor para elas
que condicionam sua felicidade,
atrelada aos seus sonhos estúpidos

Já não consigo sentar na mesma mesa de bar
dos idiotas anestesiados pela imagem de si
pessoas estéticas que não se aceitam como são
que buscam prêmios idiotas
por suas proezas desvalidas,

O que eu quero é rir das minhas cagadas
gargalhar, até doer o estomago, das besteiras que fiz
e me aceitar como sou, interagir com minha fragilidade
com todos os meus defeitos e derrotas
e por fim deixar sair toda a magoa
que ganhei inutilmente por me imaginar um dia
ser um fantoche de uma passarela de tolos.

 
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Publicado por em 24/07/2014 em estar no mundo, POESIA

 
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Coração partido

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Quando amanhece

Tento fazer do meu chão                                       images (42)
minha oração,
meu medo não é tão óbvio
as vezes parece até coragem
…uma roupagem
que se disfarça.
Este mundo não é meu,
ele me perdeu,
tento reencontrá-lo
quando nos meus sonhos
me encanto por habitá-los.
Dentro dos meus olhos
tem uma vida que se fere
braços que viram concreto
e mãos que limpam o lodo
quando amanhece.

 
 

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Arlequim

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 Quando eu fui criança,
todas as coisas eram poesias
todas as palavras eram ingênuas, indefesas
não sabia o que era falta,
não precisava ser preenchida,
de coisas que se perdiam com o tempo.

Depois o mundo foi corrigindo minhas falas
tornou-me silenciosa, defensiva
insuportavelmente triste
tão apática diante das cores
que nem mesmo o arco-íris
que um dia me habitou
foi capaz de sobreviver,

Ao ser criança,
todos os caminhos eram destino
toda dúvida era inofensiva,
todo amanhecer era novo, tinha vida
tanto que minha íris se engrandecia
diante de qualquer motivo
depois o mundo cerrou meus olhos
e aquilo que era tão grande
tão imenso e descabido
ficou pequeno neste horizonte
desabitado de arlequim,
sem nada mais pra rimar em mim.

Marcos tavares

 
 

Braços de vento

Tudo que pertence ao tempo:540296_130199423778499_706613143_n
vai passar,
…só não vai
O que o vê passar.

Não pertenço a ele,
vejo-o se desmanchar,
não sou um corpo que sente,
nem uma mente que se inventa,
sou a viagem que lamento,
que tento controlar.

Viajo sem saber,
os caminhos que virão
vejo-me viver e passar,
até que ele possa me mostrar
-onde devo morrer.

Ele não tem assento,
nem onde descansar.
partirei com ele,
em seu acalanto,
conhecerei os seus segredos
carregado em seus braços de vento.

 

 
 

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Crimes que carrego

Meu olho na janela                                            xx_71_by_scarabuss

não expressa sentimentos,

ao longe vejo luzes,

que não revelam de onde eu vim.

 

Eu não sei o que procuro,

nem mesmo se perdi,

me desfiz dos meus caminhos

pra não saber voltar depois.

 

Já não sei mais do que eu peno,

nem os crimes que carrego,

eu só tenho este punhal,

que me rasga enquanto eu vivo.

 

A chuva me conforta,

entre as veias da cidade

eu só tenho este destino,

que não permite que dele eu fuja

 

 

 
 

A minha jura

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Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo.

 
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Publicado por em 15/02/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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O Corpo

Todos os dias eu temo despertar 550523_371364946244550_2097831204_n
o câncer que me habita,
dorme dentro de mim.

Ele vai me matar.
Levar os meus sentidos.
Apresentar-me ao silencio.

Ele me ameaça com sutilezas, educação.
Tomará pra si o corpo que uso e sujo
com minhas imundices

Este instrumento que animo
que tanto me serve
deitará sobre a terra, frio.
Servirá aos vermes,
será alimento de outros seres
inconscientes de si.
Assim como ficarei,
quando o câncer ceifá-lo de mim.

 
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Publicado por em 06/01/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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Meus destinos

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Eu fico aqui
e olho pro tempo
que me olha
e me cobra perdê-lo.

Ferozes são
os meus destinos
que por serem tantos,
são nenhum.

Ainda que eu lhe siga
com meu faro,
não percebo por onde ando
nem aceito por onde me leva.

Me conduz e me acusa
de levá-lo,
me traduz e me condena
de buscá-lo.

Ainda que lhe te rogue
Que não me aflija
Não se comove quando eu choro
nem se importa que eu me fira

Quem dera!
Por um instante apenas:
desmascará-lo.

 
 

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Discurso de tolos

R

Um homem faz por suas mãos
o que lhe é hábil poder fazer.

…diz de sua boca o que aprendeu a falar,
ouve o que soube escutar,
leva no peito o que suas paixões
ensinaram-lhe a sentir,
até que nele o destino se revele.

O resto é tagarelar…
Cegos discursando paisagens,
tolos que não sabem se calar
condenando o que não poderia mudar.

Não se escolhe como agir,
reage-se à sua condição.
Não se contraria ao que se é,
aquieta-se o coração ao sonhar.
Não se perde o rumo pelas estradas,
molda-se à sua natureza ao caminhar.

 
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Publicado por em 03/11/2013 em estar no mundo, POESIA

 

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