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Arquivo da Categoria: POESIA

Possibilidade infinita

Tudo que existe é silencio                          shutterstock_1074390
mesmo o ruído do mundo
existe no silencio.

Tudo que se vê é vazio
mesmo as formas e objetos
existem no vazio.

Ser silencioso e vazio de formas
não é assustador
é a possibilidade infinita
de todas as coisas existirem.

O que quer que aconteça
eu estarei lá
nunca experimento a ausência
de mim mesmo.

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Nos teus braços

€Nos teus braços

Nos teus braços me esqueço,
perco meu endereço,
a fome, o rumo, a sede,
o motivo sabe lá de que!

Nada parece me ferir
nem saber por quê
pude já sorrir
sem estar com você

Nos teus braços me aqueço
penso sei lá o que!
nada me vem a cabeça
que não seja
abraçar você.

Nos teus braços sou festa,
dá vontade de viver,
tenho confiança pra entregar,
tudo que ainda me resta

Nos teus braços viro criança
esqueço os motivos que chorei,
fico sem saber por quê
foi preciso viver,
até encontrar você

 
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Publicado por em 02/05/2014 em POESIA, sobre o amor

 

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Braços de vento

Tudo que pertence ao tempo:540296_130199423778499_706613143_n
vai passar,
…só não vai
O que o vê passar.

Não pertenço a ele,
vejo-o se desmanchar,
não sou um corpo que sente,
nem uma mente que se inventa,
sou a viagem que lamento,
que tento controlar.

Viajo sem saber,
os caminhos que virão
vejo-me viver e passar,
até que ele possa me mostrar
-onde devo morrer.

Ele não tem assento,
nem onde descansar.
partirei com ele,
em seu acalanto,
conhecerei os seus segredos
carregado em seus braços de vento.

 

 
 

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Impermanência

O desejo da posse
é uma agitação que inquieta a alma.
é um sentir-se incompleto e subestimado
e depois preencher com
coisas que vão se estragando.

É se entregar a inútil ilusão
de sonhar que algo lhe pertence
num mundo em que nada
pertence a ninguém definitivamente.
Tudo verdadeiramente
pertence a impermanência.

Aquilo que não temos…
não precisamos.
O que nos falta…
não merecemos.
O que somos…
já nos basta.

 
 

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Manto da ilusão

1454752_757088957638485_354116471_nO que não muda, desconheço.                  

Não defino essência do que não vibra,

do que não tem começo, nem nevralgia,

 

Não reconheço aquilo que não se vê na luz.

Não tem externo, nem limite.

Aquilo que num descuido, no múltiplo se perde

e torna-se medida,

mente, matéria, miséria,

retina, semente, raiz

e cria num olho vil

-um mundo ilusório e doentio.

 

Não tem vida ou morte, nem tudo ou nada,

só um indo e vindo indefinível.

Um infinito aqui e agora acontecendo,

sem consciência de si.

 

Pelo desejo do pecado,

um manto se ergue nas formas.

e de repente se torna,

mãos, pés, orelha, câncer,

pinto, buceta, rins, carranca…

olho por olho de cada experimento,

que bate no coração,

distrai minha realidade

e se encanta com a ilusão.

 

 
 

Crimes que carrego

Meu olho na janela                                            xx_71_by_scarabuss

não expressa sentimentos,

ao longe vejo luzes,

que não revelam de onde eu vim.

 

Eu não sei o que procuro,

nem mesmo se perdi,

me desfiz dos meus caminhos

pra não saber voltar depois.

 

Já não sei mais do que eu peno,

nem os crimes que carrego,

eu só tenho este punhal,

que me rasga enquanto eu vivo.

 

A chuva me conforta,

entre as veias da cidade

eu só tenho este destino,

que não permite que dele eu fuja

 

 

 
 

Dias mórbidos

No meio do nadatumblr_mncmw8KNvv1qzxzvao1_1280         

algo me acorda,

não sei o que me alenta,

nem o que me devora.

 

Tenho medo da noite,

da morte lenta,

da foice cega

que me alimenta.

 

Nada sei de mim,

vou me descobrindo

naquilo que aconteço,

tenho medo

de querer fugir

daquilo que narro,

me abandonar

junto aos espasmos

que me desassossega.

 

Não aprendi a esperar,

quero que me fira logo

os dias mórbidos

e de escuridão

eu que me ateio fogo

e me vejo queimar

quando não tenho mais

pelo que lutar

e clamo seu perdão

por não saber mudar.

 

 
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Publicado por em 06/04/2014 em POESIA, versos tristes

 

Tudo de bom em mim

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Com você o mundo pode até ferir
e tirar tudo de mim
que mesmo assim terei
um motivo pra seguir

Com você eu sei onde encontrar
um sonho pra lutar
e de novo construir
um lugar pra te abrigar

Se você partir a vida vai ruir
devastar tudo de bom em mim
não saberei mais do que sorrir
nem pra onde devo ir

Sem você o mundo pode me cobrir
até de ouro e de rubis
que nem assim terei porque
achar vontade de existir.

 
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Publicado por em 04/04/2014 em POESIA, sobre o amor

 

A minha jura

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Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo.

 
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Publicado por em 15/02/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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Cartilhas

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Na busca de mim,
encontrei farrapos esparramados,
esparadrapos úmidos,
curativos na alma em vão.

Enchente de lágrimas por vir,
um poema de desespero,
cartas de amor rasuradas,
pedaços de sonífero
em decomposição.

Faltam caminhos,
mapas de atalhos,
desvios alternativos,
cartilhas pra viver sem ti.

Faltam tréguas,
descanso em meu ser,
trincheiras pra me defender
da tua sentença.

Nenhuma aspirina,
nem mesmo um lenço,
somente um juramento,
nesta faca rasgando o meu peito,
num desespero sem piedade,
tentando te arrancar de mim.

 
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Publicado por em 02/02/2014 em POESIA, versos tristes

 

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