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Arquivo da Categoria: versos malditos

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Quando eu nasci                images (5)
um anjo torto,
com a maior
cara de morto,
olhou pra mim
com desgosto,
acendeu um baseado
na maior cara de desgosto
e disse em arrotos:
-O bicho vai pegar pro seu lado.
Deste dia em diante
fui temente a ele.

Quando eu cresci,
o mesmo anjo
parecendo ainda mais torto
com a maior cara de agosto,
me encontrou mal pelos esgotos
acendeu outro baseado
e com a maior cara de pau,
riu a contra gosto
e disse com o olhar de morto
-Eu te falei que o bicho era louco.
Desde então…
tenho sido como ele.

Marcos tavares
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Voltar ao ventre

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Não tem nada que me deleite
ao tempo
Nem ninguém que me aceite
ao relento,
Nem porra nenhuma que eu receite
ao vento…

Quero tudo num trago só,
Estragado, indecente, de repente…
Deliciosamente sem pensar

Sem sabor da angustia,
…sem pesar
Sem receio de permear
a dor da busca de voltar ao ventre.
Sem devaneios pra me serenar
não saber mais dormir,
nem demência pra tentar provar
ser inocente.

 

 
 

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Nem mesmo o que já fui

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Não sou o corpo 

Sou aquilo que lhe anima.

Não sou os sentidos

Sou aquilo que os traduz.

Não sou sequer meu cheiro

Sou aquilo que o repele.

Não sou nem mesmo o que já fui,

Já me perdi tem muito tempo.

 
1 Comentário

Publicado por em 21/11/2013 em POESIA, versos malditos

 

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Toque de recolher

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Dou alimento aos canibais
do meu próprio sangue
e deixo migalhas
serem disputadas
entre bichos e miséria

Vou tocando meu berrante
por não saber o que me cala,
neste mundo de famintos
animais surreais.

Vou andando pelas ruas,
como quem tem
o direito de sonhar,
até que o toque de recolher
denuncie o que é real,

Vou vagando em pensamentos
como quem sabe o nome
do que é certo pra viver,
até que o que medo da fome
decida de quem me alimentar.

 
 

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Crenças

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Não quero seu deus!
Enfia ele no cu.
Enfia também o seu paraíso,
os seus rituais, seus samurais,
seus ancestrais,
suas rezas,
suas orações,
suas vibrações…
Enfia tudo no olho do seu cu.

Não quero que me chame
pra lugar algum,
pra porra nenhuma.
Macumbas, novenas, cultos
passes, descarrego, louvação
terreiros, benzimentos,
seja lá o que for…
Nada, me interessa.
Deixe-me só.
com meus tormentos.

Eu não tenho educação.
Não quero perdoar.
Não quero acreditar.
Não quero ofertar.
Não quero ajoelhar.
Eu vou me perder por ai.
Foda-se, deixa rolar…
Vá à merda com suas crenças.

Quem (seja lá o que) me criou,
me fez assim (a esmo).
É problema dele,
o que fazer de mim.
Faça como eu,
Cuide de si mesmo,
(eu sei que você pode)
Tente!

 
 

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