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Arquivo da Categoria: TEXTOS DIVERSOS

Os cafajestes

BLOG 054

Quero os cafajestes, barba por fazer, cara de safados que não fazem questão de dizer sequer o nome. Odeio os românticos, que gastam a lábia tentando provar que não querem foder logo na primeira noite.
Dia desses, escolhendo a porra de um sanduíche na hora do almoço, esbarrei meu professor de química, um gato, caralho! Como é mesmo o nome dele?!!, sei lá, que se foda,-esqueci. Comecei a sorrir e logo dei um beijinho no rosto, Paulinha, 3ºC, você se lembra de mim? Fui logo me oferecendo, caralho, parecia galinha mesmo! Papo vem papo vai, sentamos e almoçamos juntos. Trocamos números de telefones e logo fomos embora.

Aos domingos eu fico empoleirada no sofá, adoro! Domingo é dia de descanso, não me chamem pra porra nenhuma, fico o dia todo de pijama, descabelada, com meu i-phone grudado na orelha, uma panela de brigadeiro no fogão, que visito regularmente durante o dia.
Não é que o filho da puta me ligou no domingo! Putz, esse vale a pena, pensei. Mas, barzinho na vila com uns amigos dele, tô fora! Dispensei contrariada, porra, meu! O homem tem que ser mais criativo, aposto que ficam discutindo as combinações químicas das bebidas que tomam enquanto beliscam bolinhos de carne seca, porra, meu cu! Não rola.
Resolvi mostrar como é que se faz, fui na porta do colégio, e esperei ele sair, era segunda feira e estava uma puta chuva, deixei meu carro num estacionamento próximo e fiquei em frente ao portão, com uma carinha de quem precisava resolver uma equação. Fiquei sob a marquise da entrada da escola e cara de pidona.
Uma hora depois, estávamos rodando sem destino pela cidade. Meu!, esse cara é um tesão!!, deu vontade de pegar no pau dele dentro do carro mesmo, mas ele estava muito atrapalhado, não estava entendendo nada. Eu percebi pelas musicas que ele escutava no carro. Cara decidido que sabe o que quer não fica mostrando o novo som de uma banda mineira, porra meu cu! vá se fuder! Pluguei meu pen drive e começamos a navegar pelo meu universo, percebi que ele estava curtindo, o transito não ajudava naquela hora da noite, meu celular não parava de tocar, esses viados não me deixam em paz mesmo! Acho que eu dou pra qualquer um? Escolho minha caça, só dou se rolar tesão.
Estou a fim de meter com você, falei descaradamente. Poucos minutos depois, eu já estava engolindo o seu pau, enquanto ele me levava pra casa dele, tentando dirigir com as mãos enfiada na minha calcinha.
Sou puta sim! Mas cá pra nós, sobre os lençóis: O cara é fraco, nada a ver! Sou muito mais, o meu marido.

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O aqui agora

O tempo e o espaço são construídos pelo ego (eu) para que o manifesto possa ser percebido. Mas o tempo e o espaço são apenas uma ideia ilusória que é sequestrada do aqui agora pela mente.
Para se perceber o espaço é necessário criar a distância. Um sujeito e um objeto. Algo que vê e algo visto. Isso é o princípio da dualidade, a separação aparente que estamos todos envolvidos.
Em verdade o espaço só existe no aqui, mesmo que você parta em direção a outra cidade, todos os lugares que passar estarão sempre no aqui, nunca estarão lá. Isso mostra que a distância é relativa, só existe na percepção de dois elementos, o que é apenas um se torna dois. Mas o que o Deus uniu o homem não separa. (Separa apenas na ilusão)
Para se perceber o tempo é necessário criar uma linha entre o passado e futuro, dando a ilusão de que o manifesto existe como uma sequência de acontecimentos que se sucedem um ao outro. Mas o tempo apreendido pela mente é apenas uma medida ilusória, pois nunca se experimenta o passado ou o futuro, apenas o presente existe na mente, mas até este presente é questionável, visto que a mente só consegue interpretar o que acabou de passar por ela, e isto tira de imediato seu estado de presença no agora.
Em verdade só existe o agora, eterno e sempre presente, mas não assimilado pela mente, pois é imensurável. A mente só conhece o que ela pode medir, por isso ela cria a ilusão de uma linha sequencial chamado tempo onde os acontecimentos obedecem uma lei que viaja do passado para o futuro.
Visto então que o tempo e o espaço são apenas medidas ilusórias, isso comprova que aquele que os percebe também é ilusório (eu), pois o manifesto precisa estar na mesma natureza e essência para ser apreendido. Quando sonhamos não temos a ideia exata de estarmos deitados na cama e assistir dali o sonho, estamos inseridos dentro do mesmo processo, somos também sonhados. Quando acordamos percebemos que existiu apenas a ilusão de estarmos presentes em um outro estado dimensional.
Mas então, pensamos, se é assim como temos a exata percepção de existirmos? Estamos dentro de um sonho também? Examinaremos com mais calma esta questão, no momento é importante saber que nós não somos quem pensamos ser. Somos iludidos a pensar através do processo humano que somos identidades separadas, quando na verdade somos todos consciência de existir. A mesma e eterna essência conhecedora.1459110_753128268034554_892329463_n
O processo da ilusão se dá pelo fato de querermos presenciar nossa própria criação, tudo que nós vivemos é uma invenção do nosso próprio SER que se multiplica em infinitas células conhecedoras, somos todos um único e mesmo espirito que se estende ao infinito para se contemplar a si mesmo. Porem este processo não extrai nossa essência que é sempre o aqui agora,
nunca nada existe fora do aqui agora, nunca deixamos de presenciar o que quer que seja neste aqui agora. Assim como a língua é capaz de sentir todos os sabores que lhe tocar.
A ilusão de sermos entidades separadas que se perde no manifesto, faz com que busquemos nossa verdadeira realidade, por isso que o processo de sofrimento nos é imposto como uma seta indicadora de volta para casa. O mundo como nos é apresentado, visto pela ótica da mente que aprisiona o Ser em entidade separada em um tempo e espaço, nos faz criar um paraíso que possa nos aliviar após passarmos pelo sofrimento, eis ai a criação das religiões humanas. Inventamos em nossa criação a perpetuação desse “eu” que aparentamos ser, onde ele possa um dia e num outro lugar (criação do tempo e espaço) se acaso ele se comportar de maneira altruísta ou pagar seus erros do passado, desta e de outras vidas, poderá enfim gozar da sua existência.

Ao tentarmos compreender o que somos de verdade, partimos desesperados em busca de ensinamentos que nos ajudem a entender o que se passa, mas ao usarmos a mente estamos destinados ao fracasso, pois a mente é incapaz de nos mostrar o que é anterior a ela e o que não pode ser medido pelas suas ferramentas de compreensão. Então precisamos usar a própria mente para desconstruí-la. Assim como usamos um espinho para arrancar um outro espinho (Ramana Mararshi)
Devemos partir do princípio básico de questionar quem é esse que quer voltar pra casa, mas não colocar ai uma individualidade, pois qualquer sujeito que elegermos como nós mesmos é mais uma ilusão, pois não somos algo que possamos ver, identificar ou aprisionar novamente, somos antes de qualquer coisa aquilo que experimenta a existência como existência e não como algo que a experimenta separadamente dela mesma. Pois ao ser assim voltamos a criação do espaço (eu e mundo)
Em outro erro sutil, não devemos tentar nos conhecer em um processo de busca de si mesmo, pois ao partirmos deste ponto estaremos novamente envolvidos no processo ilusório do tempo. Pois ao entrar no tempo em busca de mim mesmo me afasto imediatamente da minha essência original. Visto que o agora não está no tempo. O tempo é que está no agora. Então não preciso sair deste momento para buscar a mim, devo ser consciente de estar eternamente presente aqui e agora, não como alguém que possa se conscientizar disso, mas como a própria presença atemporal não identificada com nenhum objeto perceptivo. (Qualquer identidade aí adicionada será ilusória) nossa verdadeira realidade não é identificável, se assim fosse exigiria que houvesse quem a identificasse. E assim infinitamente estaríamos envolvidos na busca deste imaginário eu.

Marcos tavares

 
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A ausência de mim mesmo

ausencia

 
 

Ângela

Ângela tinha vinte e oito anos, uma pequena loja de roupas e uma frustração amorosa que carregava tumblr_m3bdfhlmjQ1rsljbco1_500consigo desde os seus dezesseis anos. Era de escorpião, uma fervorosa praticante religiosa com olhar sombrio e triste. Tinha no peito uma mancha que moldou seu comportamento por causa de um relacionamento, era amarga e tímida.
Aos treze anos tinha muitos pôsteres de artistas e cantores pregado na parede do seu quarto. Era sonhadora e tinha um desejo secreto de entregar sua virgindade a quem merecesse verdadeiramente.
No colégio conheceu seu primeiro amor, um menino doce e meigo, como toda menina apaixonada nesta idade, todas as outras pessoas ficaram em segundo plano, seu mundo girava em torno desse menino. Namoraram por três anos até que naquele dia fatídico, se encontravam no quarto para sua primeira vez. Enfim, o fim da virgindade, a magia do ápice dos corpos que se enroscaram, se deslizaram em mãos bobas por tanto tempo e que esperaram por esse dia como a premiação de tanto carinho trocado e olhares apaixonados.
Naquele dia, porém, ela conhecera toda a indelicadeza, brutalidade e violência daquele menino. Fora estuprada, subjugada e insensivelmente usada em um vídeo feito às escondidas pelo seu namorado e alguns de seus amigos. A violência fora tal que foi parar em pronto socorro de um hospital, com sintomas febris e ardência dolorosa por todo seu corpo.
Ângela passou quase toda sua juventude em uma espécie de clausura, longe de homens, longe da paixão e levando consigo a marca desumana de ter tido no seu corpo a experiência da estupidez de um ser humano covarde e traidor.
Aos sábados a loja era aberta por volta das nove horas, pois a abertura da loja cabia a ela mesma, e neste dia, sempre dava sua corridinha pelo parque, fazendo com que a loja fosse aberta uma hora mais tarde do que os dias da semana. Ao chegar naquele manhã, com o sol extremamente rígido e suave no mês de maio, onde a temperatura é mais amena, encontrou em sua porta rosas com um cartão, dizendo versos de amor do poeta Marcos Tavares, que ela tanto lia e tinha paixão pelas suas poesias. Citava exatamente um de seus poemas que ela mais gostava:

tumblr_ml4uu2HTZv1qateqgo1_500Você foi grudando em mim,
foi juntando os pedaços,
foi tirando o que havia ruim,
me guiando em teus braços.

Você foi revirando em mim,
preenchendo os espaços,
com cuidado pra não me ferir,
colorindo os meus passos.

Você foi ficando em mim,
se moldando à minha pele,
removendo antigas feridas
abrindo portas e frestas.

Você foi me dando raiz,
foi curando meus cortes,
me deixando feliz e mais forte
bailando em mim como festa.

Ao ler e se emocionar, sentiu aquele frio na espinha que não autorizava ter este sentimento dentro de si. Rasgou o cartão e jogou fora as flores. Trabalhou durante o dia sem que nada tivesse acontecido, apenas ao final da noite que ao abrir um vinho branco, combinado com os morangos que sempre comprava aos sábados, teve uma pequena recaída e pensou: Por que não? mas achou que esse pensamento era uma influência do mal e lutou para esquecer aquelas flores e aquele poema.
No outro sábado ao chegar ao trabalho havia novas flores e novo cartão, desta vez eram flores brancas e o cartão dizia: Conheço sua história, sinto muito por você, quer conhecer a minha? Temos muito em comum, por favor não me ignore e assinava com um coração rasgado ao meio e um telefone com o nome Enzo. Dessa vez ficou um pouco paralisada, guardou as flores e o cartão, mas tentou não se interessar mais por aquilo, pois não era a primeira vez que alguém tentava conquista-la e que o trauma do passado não fosse ainda mais forte do que qualquer ideia de envolver-se novamente com alguém.
Ao chegar a noite tomou duas garrafas de vinho, passou pela sua cabeça, ligar para o cara do cartão e das flores, mas não conseguiu.
Durante a semana, teve um feriado e ela resolveu correr no parque pela manhã. Sentia seu coração mais leve e sua rigidez um pouco mais maleável diante do mundo, aquelas flores estavam fazendo mudar um pouco sua relação consigo mesma. Por que não? pensou novamente.
Esperou ansiosamente pelo sábado que enfim chegara, e sim, as flores novamente estavam lá junto com o cartão que dizia: Venho sempre a sua loja com a esperança de que algum dia, você possa me olhar como alguém capaz de te fazer feliz. Quero muito você. shutterstock_46427350
Seu coração desta vez bateu mais forte e ao ler o bilhete ficou curiosa sobre quem poderia ser. Durante todo o expediente ficava atenta aos clientes e tentava reconhecer alguém que pudesse ser o autor do cartão e das flores. Passou a semana mais atenta ainda, quando lhe passou pela cabeça fazer plantão no próximo sábado chegando bem mais cedo e escondida saber quem era esse cara.
No sábado bem cedo ela encostou o carro em uma rua mais longe e ficou um pouco distante escondida próximo a uma banca de jornal para ver se conseguia saber quem era que estava mexendo com sua vida tão organizada e triste.
Por volta das sete horas encostou um carro em frente à loja, de onde saiu um homem de altura média, na casa do seus cinquenta anos e deixou o ramalhete com o cartão.
Meu deus! Quem é esse cara? Pensou ela enquanto se escondia um pouco mais para não ser vista.
Durante o expediente daquele sábado chamou seus atendentes e questionou a elas sobre quem poderia aquele homem. Uma da meninas ao saber do carro e do tipo atlético logo identificou o cliente. Sei quem é ele. Vem as vezes comprar calcinhas, sempre as mais ousadas e paga em dinheiro sempre, disse uma das atendentes. As vezes diz timidamente que precisa apimentar seu relacionamento, justificando a compra. Completou.
Naquele sábado ligou para ele e foi logo sendo grossa dizendo ser ele um tarado e que nunca mais lhe enviasse flores e se afastasse da sua loja. Ele ouviu calmamente e pediu apenas que conversasse com ela uma só vez para que pudesse tirar a imagem mal construída dele. Não temos nada a perder, vamos tomar apenas um café e eu explico tudo que sinto, respondeu ele. Ela concordou meio receosa e marcaram um café no final da tarde da quinta.
Ângela chegou primeiro ao encontro, estava com pedras nas mãos e parecia enfurecida. Sentada em uma mesa no fundo próximo ao jardim de inverno, havia apenas ela naquele espaço do bar. Estava esperando que pudesse lhe dizer algumas verdades e fosse embora rapidamente dando um fim naquela história.
Olhando para o salão do bar, viu um homem chegando de bermuda e bronzeado, com um sorriso estampado no rosto e uma rosa na mão. Falou com o garçom que apontou em sua direção, e prontamente dirigiu-se a ela.
-Ângela, por favor me desculpe a demora, mas temos que sair daqui agora!
-Que!!! Não vou sair daqui, não, quero que você pare de me mandar flores, ok?
Ele tomou o seu braço fortemente e com segurança como se fosse alguém que a protegesse e levou-a a seu carro. Este lugar não é nosso, vamos embora daqui, vou te levar a um lugar especial.
Por mais estranho e inusitado que parecesse, Ângela se sentiu segura com aquele homem e confiando-lhe a direção tentava entender o que estava acontecendo.
Por que está fazendo isso comigo, disse ela
Tomou a sua boca e beijou-a como quem devesse lhe mostrar que as perguntas eram desnecessárias.
Me conta o que está acontecendo, disse ela.
-Quero que você saiba quem eu sou, depois que eu te mostrar tudo que tenho dentro do meu coração por você, disse ele.
A questão é que não estou interessada no seu coração nem em nada de você, respondeu ela.
Por favor, tenha calma, tocou-lhe o queixo e virando em direção aos seus olhos disse com uma voz profunda: eu te amo demais para lhe fazer algum mal, confie em mim. Já estamos chegando….
Ao encostar o carro na garagem da sua casa, abriu a porta do carro e pediu para que saísse educadamente, Ângela saiu e caminhou até a porta de entrada da casa dele e ao adentrar, viu velas por toda a casa, e ao fundo uma mesa de jantar e vinhos caríssimos que já estavam na cuba de gelo.
Enzo abriu uma garrafa raríssima e ofereceu um copo a ela, que ao provar viu seu paladar se apaixonar por aquele vinho. Muito bom, que vinho é esse, perguntou.
Começou a explicar a ela a origem, as uvas que combinaram para a formação do sabor do vinho, a região, temperatura, maciez, incorporação da garrafa e muitos outros detalhes que faziam lhe parecer um exímio sommelier.
imagesTudo bem, estou mais relaxada, disse ela. Mas me conte: que loucura é essa de me mandar flores todo sábado?
Posso lhe contar tudo de mim, enquanto jantamos, está com fome? Perguntou.
-Não muita, respondeu, mas te acompanho.
Ao sentar na mesa, ouviu o som de violino vindo ao fundo da casa e vagarosamente surgirem dois violinistas tocarem sua música preferida.
-Como sabe! Que eu amo tanto essa música, disse ela.
-Conheço você, porque conheço o que vai dentro do meu coração, faço tudo por você, quero te ver feliz…. Durante alguns minutos recitou poesias, citou filmes românticos, cantou junto com o som do violino, convidou-a pra dançar e insistia para que provasse alguns de seus pratos.
-Prove este canapé de presunto pata negra. Ofereceu-lhe.
Ao provar a iguaria, sentiu como estivesse sendo tratado como uma rainha e foi se sentindo cada vez mais à vontade e feliz por estar ali.
Durante o jantar conversaram sobre muitas coisas e perceberam que tinham muito em comum nas suas preferencias, lugares pra viajar, praias preferidas, cantores que mais ouviam, filmes e atores que gostavam de ver, etc….
Após o jantar, Enzo dispensou os músicos, pagou e agradeceu-lhes com gentileza. Convidou Ângela para conhecer alguns de seus quadros e sua coleção de mini carros, andavam pela casa com a garrafa de vinho e suas taças. Pareciam íntimos e velhos conhecidos, Enzo deixou com que Ângela se sentisse totalmente à vontade. Sentaram-se no sofá próximos um ao outro e havia pequenos gestos de carinho.

Enzo estava determinado a conquistar aquela mulher de qualquer jeito. Tomou-lhe em seus braços e começaram a dançar, abraçou o corpo dela como se fosse dono, acarinhando suas costas e encostando seus lábios sobre os ombros descobertos e macios que ela deixava à mostra. Alguns minutos depois ele a pegou no colo e a carregou até seu quarto. Ângela ficou trêmula e desorientada, imaginava toda a sua história de vida e todo trauma que havia sobrevivido. Enzo encorajou-a dizendo palavras de carinho, dizendo ser o momento de tirar a falsa imagem de alguém estupido que não sabia do valor que ela tinha. Deitou-a sobre a cama e subiu em seu corpo tirando seu folego num beijo totalmente apaixonado.
Ângela deu um pequeno gemido de permissão e Enzo começou a sobrepor sua mão sobre os seus peitos enrijecidos e alisar a alça do seu sutiã, como se brincasse com suas roupas. Via sob o vestido pequenas amostras da sua calcinha, podendo ver seus pelos enrijecerem-se, sobre a perna torneada e forte de uma corredora. Estavam se tocando um ao outro sobre a cama com abraços e beijos por todo o corpo. Enzo desceu sua boca sobre o colo de Ângela e começou a procurar o bico de seus seios que estavam totalmente duros e estufados para fora do seio, contornado pelo sutiã que Enzo foi arrancando cautelosamente. Ele tocou-lhe os bicos dos seus seios com a ponta da língua e começou a lambê-los, ouvindo os gemidos dela aumentarem, passava a língua com habilidade e as vezes abocanhava grande parte deles e chupava-os, ora com fúria ora com carinho.
Ângela se contorcia por dentro, por anos este momento fora adiado, parecia um vulcão em estado de erupção, tinha ainda na mente o trauma da adolescência que aos poucos foi se dissipando, procurou naqueles abraços tão carinhosos o fim desta lembrança. Por um momento pensou em procurar pelo pau do parceiro mas se acanhara, não sabia como tocá-lo direito, sua falta de habilidade era clara e sua timidez foi fazendo com que seu parceiro conduzisse todos os momentos de prazer que estava sentindo naquela cama.
Enzo arrancou seu vestido num gesto abrupto e indefeso, alisava suas coxas e por vezes tocava sua virilha, lambia seus seios e ajuntava suas nádegas com mãos fortes e poderosas, dando a ela a sensação de estar rendida e que, por fim, se rendera. Ele olhou seus olhos e falou em voz bem macia: vou chupar a sua boceta e foi em sua direção. Tirou com maestria a calcinha e acariciava toda a área que a circundava, primeiro passou a língua sobre os poucos pelos que ali haviam, desceu sua cabeça até o ponto em que fosse confortável mostrar a ela toda a delicadeza em ser chupada. Sua língua, agora, se arriscava em achar seu grelinho, que nunca havia sido tocado ainda, lambeu toda sua boceta e com a língua endurecida começou a tocar o grelinho, as vezes lambia-os outras vezes dava pequenas mordidinhas ao redor. Enzo via aquela boceta cada vez mais molhada e pronta para que pudesse enfiar seu pau duro e de tamanho respeitável. Abriu suas pernas ainda mais e acomodou seu pau entre as paredes das pernas onde passava por toda boceta a rigidez de um pau pronto para invadi-la.
Ângela sentiu um pouco de dor mas foi sentindo o prazer de ver sendo introduzindo no seu corpo a parte musculosa e dura de um homem que sabia como ninguém dar prazer a uma mulher. Enzo socou centenas de vezes sua rola naquela boceta, tocando seus seios com a boca e lambendo seu pescoço até lambuzar todo o corpo daquela mulher com sua saliva.
Gozaram juntos e apaixonados mas ficaram ainda enroscados e descansando seus corpos um ao outro até que muito tempo depois, se olharam e se beijaram num gesto de gratidão um com o outro.
Ambos tinham seus problemas com o passado e estavam acertando as contas com o destino. Enzo serviu-lhe mais uma taça de vinho e ela faminta naquele momento, foi até a mesa posta e se deliciou com todas aquelas iguarias divinas que ele lhe preparara. Estava tão encantada com a vida e com aquele momento que não se dera conta de nada a não ser de estar ali com aquele homem de quase meia idade e que foi a razão de seus sonhos de criança em algum dia se entregar para alguém. Aquela mulher não tinha nada em mente, apenas sentia o prazer lhe subir por todo o seu corpo novamente todos as sensações que tinha tido a momentos atrás. Foi até o banheiro e viu Enzo tomando banho, entrou junto com ele e começou a acariciar o seu pau, ajoelhou na sua frente e começou a suga-lo com timidez e falta de habilidade, Enzo a ajudou e ela obedecia suas ordens até que seu corpo todo molhado, fora novamente invadido e comido sob as águas do chuveiro, lingerie-day-11
Após a ducha, descansaram, jogados na cama, exaustos de uma noite de amor.
Uma semana se passou até que ela resolveu ligar para ele. O telefone dele não completava as suas ligações, parecia ter sido bloqueado o número dela. Foi até a casa dele no meio da tarde, porque queria novamente se encontrar com aquele homem que havia tirado seu trauma adolescente, ela sentia uma gratidão misturado com uma vontade imensa de dar pra ele de novo. Ao chegar lá, tocou a campainha e saiu uma moça que veio lhe atender, quem seria essa mulher! Sua filha, pensou.
-Boa tarde, posso te ajudar.
-Sim, eu vim aqui para falar com o Enzo. Pode chama-lo e dizer que a Ângela está aqui.
-Desculpe, senhora, aqui não tem nenhum Enzo, Não temos nenhum funcionário com esse nome.
-Funcionário! Como assim? Aqui não é a casa dele.
-Não, moça, aqui é uma produtora de vídeos eróticos.
Ângela avançou pelo portão, e foi entrando enfurecida. Meu Deus, como fui burra!!! Vou matar esse filho da puta agora.
-Quem é o dono dessa porra, aqui? Cadê um tal de Enzo que me trouxe até aqui e se passou como dono e me comeu a noite toda? Foi gravado alguma coisa? Quero saber logo, vou chamar a polícia agora. Esbravejava aos quatro cantos da casa.
-Moça!, tenha calma. Senta nessa cadeira e explica tudo para gente. Disse um homem bem vestido que parecia ser o dono da empresa.
Após explicar tudo a ele, ela queria saber se tinha sido gravado alguma coisa naquela noite, pois este fato já se repetira anteriormente e olhando pelas paredes viu várias câmeras dependuradas.
-Talvez a casa não seja essa, existem muitas iguais a essa nesta rua, respondeu-lhe.
Ela saiu alucinada e andou pela rua procurando uma casa que fosse parecida com aquela.
Ângela, bateu em várias casas até que Enzo apareceu de dentro de uma delas.
Enzo foi até o portão, abraçou-a e explicou o sumiço, ele disse a ela que estava esperando novamente o sábado chegar para enviar novas flores a ela e ver se realmente ela queria ficar com ele, pois estava esperando que ela determinasse se eles ficariam juntos, sendo ele um homem a beira dos seus cinquenta anos e talvez indigno dela, apesar de conhecer toda a sua história e ser apaixonado por ela, ele não queria forçar o relacionamento entre eles. Queria apenas que ela tirasse da sua memória o trauma de adolescente.
-Cala a boca e me come de novo, caralho!!!!

 
 

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A farsa de um agente

Caminhava pela estrada de terra rumo a rodovia para encontrar um posto de gasolina. Meu carro estava 1450178_211609315686254_1868628989_ncom o marcador de gasolina quebrado e achei que seria possível chegar ao posto mais próximo. Por vários motivos ainda não tinha arrumado este defeito e naquela estrada, com um galão na mão, pensava sobre isto.

O que será que faço neste mundo que me faz passar por situações tão absurdas como esta, ficar sem gasolina no meio de uma mata numa estrada cheio de buracos em São Sebastião? Será que preciso aprender a ser mais organizado? Será que estou sendo punido por atitudes de outras encarnações, será que é necessário acontecer isso comigo mesmo? Porque não tenho controle de me safar das intempéries da vida? Eram muitas perguntas em minha cabeça, além do fato de estar com uma puta dor de cabeça provocado por uma renite que a muito tempo não cuidava.

Comecei a entrar em um labirinto de respostas vindas de pensamentos que não me eram familiar. Assistia uma guerra de acusações ao mundo e lembrava das reuniões filosóficas que tinha aos dezoito anos com meus amigos de bar, bravejando bêbados, ideias absurdas sobre a vida.
Cheguei a uma conclusão meio sem pé nem cabeça que foi se desenrolando durante a caminhada até o posto de combustível.
Não sou agente da minha vida! não há como ser. Não é possível o livre arbítrio para os seres humanos nem mesmo para as bactérias mais microscópicas. Não tenho controle do que faço, nem mesmo escolho entre uma roupa ou outra. Tudo é uma ação original espontânea e universal que cabe a mim apenas reagir.
O fato de pensarmos ser o dono da ação é devido ao fato de sermos naturalmente orgulhosos de uma imagem de si que é totalmente falsa. O mundo vem a mim e eu reajo a ele. É simples assim! Mas aceitar isto é a mais difícil das tarefas. Esse fato desconstrói a presunção de sermos aquele que realiza e é premiado por suas ações. Então podemos ir aos fatos concretos e desmascarar este agente que imaginamos ser.
Em primeiro lugar, devemos entender que somos todos parte integrante da natureza, e que como partes, participamos dela, não a conduzimos. Somos engrenagens que se encaixam em um movimento manifesto que se apresenta diante dos nossos sentidos.
Tudo que achamos ser uma ação é na verdade uma reação, determinada por um ambiente que reagimos com nossos instrumentos intrínsecos e herdados pelas circunstancias que foram ao longo da vida apresentadas.
Que força interior move um alpinista a escalar o monte Everest? Que desejo faz com que eu fume, sabendo que me faz mal, que eu beba sabendo que ficarei bêbado, que eu dance e me achem tolo, que eu viaje para descansar e volte mais cansado ainda, que eu me case sabendo que isso privará muito minhas ações de liberdade, que eu ame alguém que não me ama?
Todos os desejos que nos movem, brotam inconscientes em nossa mente e vão se expandindo até que se realizem e tornem-se manifestos. Somos instrumentos do mundo que quer se conhecer, diria alguém poeticamente. Eu diria que reagimos ao mundo pelas possibilidades individuais de acolher a sua vontade de ação.
Estou andando na rua e alguém irritado me xinga, me humilha, ameaça me agredir se eu não sair da frente dele. Olho pra meu interior e vejo que sou covarde e que não gosto do embate, ignoro e continuo meu caminho e depois julgo-lhe por ser simplesmente um estupido, confortando minha covardia e aceitando meu comportamento. Estou ciente do que sou, do que quero preservar como identidade adquirida. Alguns passos adiante encontro um revolver carregado à beira da calçada, perdido por um policial relapso, ponho em minha cintura e continuo a caminhar. Pensamentos diferentes começam a vir em minha mente, por que? Por qual motivo? Talvez porque agora eu posso ser mais forte do que minha covardia. Volto pelo caminho onde fui ameaçado e atiro na pessoa que me ultrajou sem que não houvesse motivo algum de me ofender. Fico pensando onde estaria minha ação neste caso e não a encontro de forma alguma.
Estas ideias começam a se multiplicar em minha cabeça, quando minhas mãos começam a doer carregando o galão cheio de gasolina fazendo o caminho de volta ao meu carro sem combustível. Debato comigo mesmo o exemplo pensado a pouco e começo a negar minha reação de vingança e assassinato. Surge a possibilidade de ter sido diferente o quadro do acontecimento. Imediatamente vem em mim um estado de revolta e dor, por ter sido tão idiota ao ponto de deixar faltar gasolina no meu carro e estar sofrendo com dores horríveis em minhas mãos, tendo que carregar esta porra de galão. Começo a me xingar e me revoltar comigo mesmo. Um carro vem em minha direção cheio de pessoas rindo alto e parecendo drogadas, olham pra mim e gritam alto: Se fodeu, seu trouxa! Depois partem rindo mais alto ainda e olham pra traz com zombaria e desprezo. Meu estado emocional altera muito e tenho vontade de ter o revolver que tinha na minha imaginação. Então penso como sou apenas um reagente dos fatos.

fotos-emocionantes-27Nada que acontece esta sobre meu comando, estou sendo levado a caminhos sempre diferentes de estados racionais e emocionais. O mundo externo influencia tudo que devo fazer sem que eu possa escolher. Se ajo apenas diante do apresentado, como pode ser isso uma ação? Se diante das circunstancias já fica predeterminado aquilo que devo fazer por ser a única escolha possível, pois sou guiado a realizar o que é da minha natureza fazer.
Lembro de exemplos banais do passado e tento contestar esses pensamentos, mas o primeiro que me vem é de onde veio esse próprio pensamento? De onde vem os pensamentos que passam na minha cabeça, por quem são enviados, quem deu a autorização deles virem a mim? Por que não ficam em uma estante imaginaria e vou a eles para escolher qual deles devo pensar? Se não sou dono do que penso, pois não os escolho, sou apenas um espaço-tempo onde eles se manifestam, então, apenas reajo a eles e os deixo conduzir minhas ações, que fica claro aqui que são só reações.
Planejo minhas férias para um praia bem legal, levo em conta todas as possibilidades: Dinheiro a ser gasto, pois o lugar tem o seu preço, não fui eu que os fiz.
Também considero as praias próximas e quem os frequenta. Elas já estavam lá com seus atrativos e foram oferecidas a mim o que poderia agradar-me nelas, não fui eu que criei nenhum atrativo para elas, apenas reagi as suas possibilidades.
Os turistas que frequentam tais praias tem suas características, tais como: educação, rodas de samba ou lual, povoamento, exageros, consumo de álcool, etc….
A infraestrutura, distancia a ser percorrida, o comportamento do mar, se é bravo ou calmo, se tem ondas ou parece uma piscina, etc…. Todas estas possibilidades vão ao meu interior e lá se encaixam naquilo que eu espero ser o prazer que preciso para estas férias. Então neste momento existe escolha? Penso eu. –Negativo, não existiu em nenhum momento escolha alguma. Você tem férias porque seu stress e seu corpo precisam de novos ares para se recuperar, houve escolha aí? O lugar aonde você escolheu para ir está dentro de todas as possibilidades de um quadro interno que você não criou, foi-lhe direcionando e você foi tendo a impressão de ser suas as escolhas, mas não foram.
Escolha agora fazer qualquer coisa que não esteja de acordo com uma autorização externa e perceba que não poderia. A vida que te guia não é sua, a própria sensação de ser uma vida é uma ilusão.
Colocando gasolina no tanque de combustível, pensei em acender um cigarro, mas outro pensamento veio e proibiu. Pensei em voltar pra casa e desistir de ir a algum lugar, mas outro pensamento veio e me deu incentivo de ir adiante. Entrei no carro e pensei em ir até um quiosque para tomar uma cerveja e comer uns camarões, antes porém, outro muito mais forte me ordenou passar no posto de combustível e completar o tanque, enquanto que outro dizia que já podia fumar…
Existe um turbilhão de possibilidades acontecendo dentro da tua e da minha cabeça, mas existe somente uma coisa a fazer, nunca há dualidade. Somente uma ideia de probabilidade mal compreendida, um sonhar acordado que não tem função objetiva nenhuma.

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Assim que cheguei ao quiosque, vi que estava muito cheio e havia muitas pessoas ali tomando cervejas e comendo seus petiscos, poderia escolher ir a um outro lugar, pois eu queria um pouco de privacidade e sossego, mas as circunstancias me fizeram parar ali mesmo. Mas, por que? Pensei. Logo me veio a resposta: os acontecimentos é que acontecem, não eu que aconteço, eu apenas sou guiado a presenciá-los, pois todos os fatos só fazem sentido diante da minha reação a eles, se assim não fosse, uma peça estupida e sem graça poderia ficar anos em um teatro sem que a reação da plateia as influenciasse a sair de cartaz ou mudar seus personagens enfadonhos.
Só a reação pode mudar a ação externa e não a ação mudar uma reação. Quer dizer que ao reagirmos mudamos o quadro externo? Sim e não ao mesmo tempo. Sim se você estiver desperto e ignorá-lo e não se você se importar com ele ao cabo de transforma-lo em novas reações.
Explicarei mais tarde esta afirmação, pois o fato mais lógico que percebo até agora é que reagimos à reações. O verdadeiro autor da ação é desconhecido neste quadro, iremos a sua busca em breve, antes porém temos que desmascarar uma outra grande mentira: A existência de um Eu que se intitula o autor da ação.

CONTINUA EM BREVE

 
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Publicado por em 05/01/2014 em crônicas, TEXTOS DIVERSOS

 

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Micro organismos- parte 01

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Corria pela artéria de um corpo humano, um grupo pequeno de micro organismos, talvez houvesse apenas um milhão deles, dentre eles, porém, havia um em estado transtornado de ansiedade. Era Chamado de W2-elemento neutro4. Era um daqueles entre o grupo que tinha sempre algo a mais a exigir. Era de poucos amigos, sisudo e introspectivo. Vinha de um grupo de gerador moleculares atuantes no meio político e formador de opinião, mas foi rejeitado pelo próprio grupo parental, por ser bastante reacionário. Tinha ideias bastantes avante do seu próprio tempo, na verdade foi deserdado pela mesma matriz por atuar em glóbulos entorpecentes.
-Vamos acabar com os humanos, dizia sempre quando voltava de algum antro.
A maioria não lhe dava atenção. Ignoravam suas falas sempre estranhas. Há muito tempo, contavam os ancestrais, que houve um entre eles que conseguiu a façanha de juntar-se a forças negativas, e formar um exército de 20 bilhões, e assim difundiram-se em milhares de corpos hospedeiros eliminando seus movimentos e irrigação. Foi um momento da história que tiveram que dar acolhida a visita inesperada de extraterrenos, precisava de muitos corpos em decomposição para poder alimentá-los, houve muita confraternização e abundancia. Dizem alguns que este momento histórico foi chamado de a peste negra entre o meio humano.
-Eu sei como acabar com todos eles! Bravejava antes de entrar nos coágulos.
Após algum tempo com este comportamento subversivo, W2 foi encaminhado para o departamento de correção comportamental, sob a tutela de muitos pesquisadores, analistas e conselheiros para julgarem se era possível sua volta ao círculo sanguíneo. Mas foi em vão.
Dia após dia, W2 fazia amigos e simpatizantes pela sua teoria, outros micros seres se juntavam ao final de cada ciclo diurno para ouvir suas ideias. Aquele grupo liderado por ele tomava proporções preocupantes ao comandante geral da unidade que habitavam. Decidiram até puni-los e expulsa-los, caso não deixassem de difundir mensagens como esta. O comandante geral chamou-o para uma reunião, pois gostaria de saber se havia motivos suficientes para se preocupar com ele e o grupo que lhe seguia.
No circuito sanguíneo marcado para a reunião, W2 chegou escoltado por micro construtores vermelho, era a classe orgânica, contratados para este serviço, temidos por sua alta disseminação atômicos e procedimentos não muito convencionais de persuasão.
-Sente-se W2, disse o comandante geral. Conte-me sobre esses rumores que vieram aos meus sentidos. Continuou.
-Bem, estou muito revoltado com o comportamento da humanidade, gostaria de eliminá-los. Estamos esperando a muito tempo que eles mesmos se destruam, mas estão se tornando muito resistentes. É hora de nos unirmos e expulsá-los deste planeta, Todos estão fartos de sermos a fonte deles.
-Eles têm sido útil como hospedeiros da nossa classe e ainda não temos planos concretos para uma nova forma evoluída de espécie, tenha calma. E além do mais, não existe nada que nos afete nas ações estupidas deles. Por enquanto eles estão de acordo com o nosso plano.
-Infelizmente, comandante, a maioria pensante já teve acesso a informação da imigração de novos corpos e quase todos nós já estamos cientes da nova era. Tenho planos celulares para intoxica-los em um prazo muito curto.
-Você está se referindo a nossa célula verde?
-Não, nunca. Jamais pensei nela. Estou falando de métodos mais eficazes. Se fosse possível, eu gostaria de marcar uma reunião para demonstrar todos os possíveis procedimentos.
-Esqueça tudo, isto está fora de questão. Não vou permitir que desestruturasse nosso território corporal, com informações sigilosas e ideias contraventoras. Vou deixa-lo em clausura por algumas circulações completas.
-Algumas circulações! Por favor, não faça isso comigo.
-Não posso deixa-lo por ai a convencer nossa população com essa oratória estupida.
-Não é estupida, Comandante. Deixe-me explicar tudo em uma reunião que eu lhe provo que estaremos fazendo bem ao planeta.
-Não sabes que também somos seres de circulação, que somos seres hospedeiros também? Já imaginastes a possibilidade das partículas subatômicas pensarem o mesmo que você? Tire umas férias, deixaremos você e seu grupo por um tempo nas planícies da celulite glútea, podem se divertir por um tempo e colocar os pensamentos em ordem.
-Por favor, não preciso de férias, preciso de ação.
-Está decidido, será transferido no próximo círculo sanguíneo.
W2 e seu grupo foram tirados de circulação por um tempo, mas a essência subversiva ainda era o fator predominante entre eles. Eles tinham como meta um ataque em massa, sem que houvesse tempo para encontrarem defesa aos ataques. Estava decidido que não deixariam de agir na primeira oportunidade real de levar toda a população humana ao extermínio. Seu plano era atacar as gorduras desnecessárias do corpo humano, eliminando-as e induzindo-os a desejarem, mais e mais, viver sem este incomodo. Haveria uma nova forma estética fácil de conquistar com essa descoberta. Uma nova droga oferecida pela natureza que certamente seria produzido em massa e sinteticamente como medicamento. Por serem por essência, exploradores de sua própria raça, não pensariam duas vezes em agirem desta forma.
Milhões de seus membros estariam dispostos a se voluntariar produzindo-o, resultando em um padrão físico extremamente atraente a eles e de método simples. Essa atitude os deixaria vulneráveis a um ataque em massa de vírus inativos e ainda não conhecidos e que impedia o funcionamento das articulações musculares, por falta de gorduras extras ao corpo. Gorduras que, por serem indesejadas esteticamente, foram eliminadas por essa droga em uso por eles.
Era o truque mais antigo de todos, oferecer algo atraente como isca, mas que ainda seria útil nessa primeira parte do plano.
Após algum tempo, o grupo liderado por W2 voltou ao circuito sanguíneo, mas ainda requeria certa monitoração. O comandante geral ordenou aos agentes que ficassem atentos ao comportamento do grupo e que suas ideias não fossem divulgados para os outros habitantes daquele corpo.

Algum tempo se passou e a história de W2 era apenas uma lenda, todas as células já haviam sido substituídas por novas e todas que agora faziam funcionar o corpo não compartilhavam desta tese e não ousariam a destruir seu hospedeiro. Ficou apenas uma curiosidade coletiva de saber por que chamavam de célula verde, uma célula que era totalmente transparente.

….. CONTINUA EM BREVE.

 
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Publicado por em 04/01/2014 em crônicas

 

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Carro zero, estupidez comprovada

Acabamos de receber mais um troféu, este sim, é motivo de chacota para a comunidade mundial, somos agora o País que vende o carro mais caro do mundo. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/141851-o-mais-caro-do-mundo.shtml . Um país que tem uma distribuição de riqueza absurda, onde 5% da população retém em suas mãos mais 90% de toda a riqueza aqui gerada, tem agora a ousadia de se dar ao luxo de vender o carro mais caro do mundo. Isto só fortalece o crescimento dos nossos bancos, a maioria da frota de carro em circulação nas ruas deste País pertence sim, aos nossos bancos, caso não paguemos suas prestações absurdas, eles tomam-no de nós.

Comprar um carro é um excelente negócio, primeiro vamos à loja e escolhermos o modelo que cabe no nosso bolso, então o banco vai aprovar a sua escolha, vai analisar seu potencial de crédito para depois permitir que você o tenha.

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Próximo passo, sair com ele da loja e receber um compromisso de 60 prestações, onde fica estabelecido que seja seu o direito de guia-lo. Mas não lhe qualifica como dono real, é apenas uma posse ilusória, mas o melhor de tudo é que existe uma conta bem legal de ser feito, acompanhe-me.

Suponhamos que o carro que não é teu, até que você pague até o ultimo tostão ao verdadeiro dono (o banco), lhe custe à quantia de R$ 30.000,00 reais a vista, mas ao final da quitação da sua divida este carro lhe sairá por R$ 60.000,00, mas o melhor vem agora, este carro que você pagou a quantia de R$ 60.000,00 tem um valor de mercado aproximado de R$ 10.000,00 ao final de 06 anos. Parabéns, você pegou R$ 30.000,00 ao banco dando em garantia um carro que tem valores em outros países aproximados de R$ 12.000,00, agora o banco vai querer que seja pago o dobro do preço e ao final do pagamento você tem um bem que vale menos de um terço do valor na loja.

Ficou feliz em ter um carro novo? Continuemos então, você ficará mais ainda…

Este belíssimo carro (que ainda não é seu) tem algumas despesas, você deverá conhecê-las. Você terá que abastecê-lo com combustíveis totalmente nacionais por um preço mais caro do que os países vizinhos vendem, mesmo levando em conta que este combustível é por nós mesmos fornecidos a eles, ainda correndo o risco de ser “batizado”, sendo misturado com agua ou álcool, prejudicando o motor e peças essenciais ao bom funcionamento do veículo. Isto acarretará despesas com mecânica que não foi citado no ato da compra.Wall-Street

Este carro deverá assumir uma despesa pelos direitos de usar as ruas maravilhosas de nossas cidades, o IPVA, um imposto obrigatório que cobram pela conservação das ruas e estradas. O único problema é que se você cair em um buraco destas ruas ninguém vai lhe ressarcir, ou se for brigar por esse direito, nosso processo judicial vai demorar vários anos até que se receba algum dinheiro que não cobrirá sequer a mão de obra do mecânico, nem mesmo peças da suspensão avariada pelo buraco.

Então funciona assim: Você é obrigado a pagar pela conservação das ruas para andar com seu bonito carro (mas que ainda não é seu). Não adianta, porém, reclamar se estas ruas não forem conservadas, nem se o carro sofrer danos e perdas irreparáveis ao seu bolso, pois irão dizer que sua condução não é habilidosa e foi culpa sua não ter desviado do buraco, mesmo correndo o risco de bater em outro carro.

Muito bem! Estamos indo bem, não se apresse! Agora vamos falar da segurança do carro.

Recentemente ganhamos mais um belo prêmio. O nosso “Celta”, carro produzido pela GM, recebeu notas vergonhosas de segurança http://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2011/11/24/carros-vendidos-no-brasil-dao-grave-vexame-em-crash-test.htm, é mais fácil morrer em um acidente com um carro destes estando dentro dele do que fora dele. É melhor ser atropelado por um Celta do que estar dentro dele. Mas tudo bem! Existe também o seguro obrigatório que deve ser pago para que se receba premio por invalidez ou morte causado por acidentes de carro.

Porém se você não pagar este seguro seu carro pode ser apreendido imediatamente, mas se por uma má sorte você tiver que usá-lo será necessário anos de espera, pois ninguém tem culpa da sua falta de habilidade em dirigir em nosso transito totalmente caótico.

Agora vem o melhor de tudo, como este é um ótimo negócio e todos querem ter um, um mercado alternativo se ergue para terem peças roubadas para a sua reposição. A indústria seguradora torna-se sócia da indústria do furto e roubo. O banco vai lhe cobrar em media 10 % do valor do seu carro por ano para que este carro fique seguro em suas mãos, caso seja roubado, bata ou pegue fogo você será indenizado. Este carro que custa R$ 12,000 em qualquer lugar do mundo e que você comprou por R$ 30.000,00 e vai pagar R$ 60.000,00 ainda vai lhe custar R$ 2.500,00 anuais para que seja protegido.

Ao final de 06 anos acrescente mais R$ 15.000,00 de seguro. Consta ainda mais 6% em media de IPVA e seguro obrigatório, ou seja, acrescente mais R$ 1.800,00 em média anual ao custo total do carro, o que daria um montante de R$ 10.800,00 para os próximos seis anos a ser acrescentado ao valor do carro (que ainda não é seu), considere que você é um ótimo motorista e que aprendeu a desviar dos milhares de buracos e que conserve bem o motor com as trocas de óleo necessárias ao bom funcionamento do carro, ainda assim a maioria das peças de um carro popular são feitas com material mais barato e de pouca durabilidade, então para ser bem otimista este carro vai lhe dar apenas mais R$ 1.000,00 em despesas anuais de conservação. Totalizando mais R$ 6.000 em seis anos.

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Até agora este carro esta lhe saindo por R$ 91.800,00 em seis anos de uso e se ao final de 06 anos  você conseguir vendê-lo por R$ 10.000,00 você é um bom negociador.

Não estamos considerando os imprevistos e gastos extras que comprometem nossos orçamentos que não permitem que paguemos em dia a prestação do carro. O banco vai te dar multas e mora por atrasos que podem aumentar a prestação em 30% em média. Reze, então, para que nos próximos anos, não precise passar por cirurgias, não perca o emprego, não seja roubado, não sofra acidente, não caia de cama, etc.

A boa noticia é que esta em suas mãos brecar esta roubalheira toda. O único problema é que estamos errando o alvo, lutando por mudanças sociais para que possamos viver um uma sociedade mais justa, mas temos insistentemente batendo da tecla errada.

Sair às ruas para manifestar nossa insatisfação por aumento de tarifas de ônibus não trará nenhum resultado satisfatório, estaremos apenas dentro dos limites permitidos de insubordinação ao poder. Como dizem por aí o negócio é mais embaixo. É claro que estamos em um novo quadro de informação, o acesso à internet tem nos dado informações nunca antes permitida, é pena que a maioria esmagadora considere-a apenas um instrumento de ociosidade, uma vitrine de vaidade de valores inúteis.

Para que saibamos como realmente afetar esta atual estrutura é necessário saber quem esta por trás desta farra do boi, não adianta discutirmos teoricamente como deveria ser nosso país, como deveriam ser nossos políticos e a maneira correta de nos desvencilharmos do jugo a que nos submetemos. Precisamos antes de tudo, termos uma nova consciência diante deles. Precisamos quebrar a economia, infelizmente, para que ele seja refeita. Isto que a imprensa junto com a mídia (formadora de opinião e desejos) está fazendo com nossa mente é digno de uma resposta á altura. O verdadeiro algoz é o poder financeiro, que aparece como o cordeiro, mas é o lobo faminto e voraz conduzido pela má riqueza distribuída em nosso país. Os bancos bilionários, as indústrias gigantescas que engolem todas as suas rivais e a concordância politica em aceitar que seja assim, distribui o verdadeiro poder para uma minoria extremamente avida pelo controle social, politico e financeiro da população. Isso implica dizer que nosso governadores tem patrões que os bancam e exigem que cumpra uma cartilha.

Não adiante ficar dando murros nos joelhos de um gigante é necessário acertar o fígado, a única forma de não sermos ganhadores de prêmios estúpidos, como comprar o carro mais caro do mundo é não comprá-lo.

Infelizmente anos e anos a mídia covarde e controlada pelos gananciosos tem lhe dito que um novo carro é um sonho de consumo que lhe garante felicidade, e você tem aceitado isso como verdade, mas o que foi dito acima prova exatamente o contrário: é uma roubada.

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Suspenda por alguns meses todos os seus projetos em aquisição de bens de durabilidade, reforme seu carro velho, compre um usado um pouco melhor que o seu, negocie tudo com sua mente viciada em adquirir coisas novas e convença-a a desejar menos, em poucos meses nós deixaremos de sermos reféns destes filhos da puta. Eles saberão que temos como atingi-lo e que as regras podem ser mudadas para que tenhamos um pouco mais de chance de ganharmos como cidadãos dignos que pagam um dos impostos mais caros do mundo e temos um dos piores retornos sociais do planeta.

Não precisamos sair nas ruas com o risco de levar pauladas e gás lacrimogênio, simplesmente segure sua fome de consumo por algum tempo, isso sim o fará repensar como deveríamos ser respeitados por sermos na realidade o verdadeiro motor da economia. Todos nós juntos somos o verdadeiro poder, mas não apenas uma parte, não apenas alguns amigos que irão ler e pensar: -É!, faz sentido. Não, não é assim, este texto deve circular e difundir por todo meio de comunicação que for capaz de ser compartilhado e mesmo que muitos não entendam assim, ao menos saberão quais são as regras desse jogo desumano.

Marcos tavares

 
 

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Transitoriedade

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Casamento funcional

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-Me passe o azeite, disse ele.
-Comprei um daqueles que é trufado, quer experimentar? Disse ela.
-Acho que não, pega o de sempre, amor!
-Gostou do aspargo? Tem tempero novo.
-Está ótimo, quando entregaram? Parece tão fresco!
-Ontem à tarde, eu estava chegando da academia.
-Por falar em academia, você tá dando pra aquele André ainda?
-Não, ele arranjou uma namoradinha nova.
-Sério! te deixou de lado, que filho da puta!
-Não queria mais, mesmo! Já estava de saco cheio de ter que ficar trepando de manhã cedo. Chegava atrasada pra pegar o Marcelinho na escola. E o diretor ficava me olhando com rabo de olho, como quem diz, que mãe mais irresponsável! Toma no cu dele, cuzão do caralho, vai cuidar da vida dele!…Me passa o arroz, amor!
-Puxa que cara trouxa! Cadê o Marcelinho, falando nisso? Perguntou lhe dando a travessa de arroz integral.
-Ele esta na casa de um amigo, eles estão com um trabalho pra entregar esta semana na escola.
-É o namorado dele?
-Não! Eles terminaram já faz tempo.
-Puxa, sou sempre o ultimo á saber. Ele sofreu? Preciso falar com ele pra ele me contar como aconteceu. Ele só conta estas coisas pra você. Parece até que não confia no pai.
-Calma, meu amor. Eu estou com ele todos os dias, você precisa cuidar de outras coisas. Por isso ele tem dificuldade de conversar com você, acha que vai te incomodar. Só isso!
-Fala pra ele, que eu o amo muito, que estou sempre pensando nele.
-Relaxa, amor! Ele sabe que você é um bom pai. Mudando de assunto… O sindico veio fazer fofoca de você pra mim de novo. Ele te viu com a Nívea, dentro do carro, quando ela estava chupando seu pau.
Jogou o talher em cima da mesa, irritado.
-Aquele desgraçado, não tem mais o que fazer, não? Fica na garagem espiando o que eu estou fazendo, vou aplicar um corretivo nele, deixa ele comigo!
-Calma, amor! Só falei pra você tomar mais cuidado.
-Avisa aquele chifrudo, pra cuidar da vida dele. Eu ando meio sem paciência ultimamente. E você sabe disto! É para o próprio bem dele.
-Eu vi no jornal o que você andou fazendo, cuidado, amor!
-Fica tranquila, esta tudo sobre controle, logo vão esquecer, e o meu nome esta em sigilo, não existe nenhuma ligação comigo, fiz tudo certo como sempre.
-Você sabe o que faz, confio em você… Enche meu copo de vinho, por favor.
Um longo silêncio na sala de jantar tomou conta do ambiente, houve apenas pequenos risos de ambos, direcionados ao celular trocando mensagens.

Após a sobremesa, foram ao jardim, preservando um hábito de anos de convivência em comum, viam as flores novas, as plantas que tinham morrido recentemente e as que estavam nascendo. Era uma espécie de compromisso que tinham desde os primeiros anos de casamento.
-Neste fim de semana, vou viajar para Angra com nossos amigos. Disse ele.
-Ah Amor!! Me deixa ir também, vai ter festinha na casa do Miro?
-É claro que vai, ele já armou tudo, acho que vai ter até umas meninas da Argentina, ele garantiu que tem virgem desta vez. Mas é proibido levar a mulher ou amantes. Vai ser um encontro de lobos solitários.
-Ah que pena! Queria tanto ir de novo.
-Você já esqueceu a dor no cu, que teve durante uma semana, da ultima vez que foi comigo?!
-Não esqueci não, amor, nosso médico até ficou preocupado com o tamanho do estrago. Mas da próxima vez eu vou me controlar. Prometi a mim mesmo.
-Você é mesmo uma Puta, não é, meu amor? Não pode ver um negrão de rola grande.
-Eu não sabia que era tão grande, até entrar tudo na minha bunda. Puta que pariu, que negão gostoso!
-Numa outra vez, você vai, eu prometo. Mas você vai ter que se conter, tá?
-Tá bom, amor, eu prometo.

Eles saíram do jardim indo aos aposentos, já estava um pouco tarde, e estavam com um semblante de cansados após um dia longo de tarefas. Eles não tinham segredos, apenas sabiam como lidar com as indiferenças, quando havia alguma. Ela se afastou um pouco dele para atender ao celular e pode-se ouvir apenas uma voz alegre e surpresa: Viva!
Ele tirou a carteira do bolso e colocou-o próximo a escrivaninha, como sempre. Pegou celular e digitou apenas uma palavra em uma mensagem: Mate!

 

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Criança superpoderosa

No banco de trás do carro, João Pedro, único filho do casal, estava ainda emburrado por sair tão tarde daquela festa. Ele já tinha perdido tempo demais com seus primos, que pouco via e que não fazia questão alguma de vê-los. Mas o pior era ter deixado o novo jogo no vídeo game para ir a uma destas festas insuportáveis de família.
João Pedro era um menino que vivia sempre as voltas com seus pensamentos, sua mãe achava muito estranho, um menino de 12 anos que se relacionava tão pouco com o mundo externo. Vive no mundo da lua, dizia sempre sua mãe para seus amigos e conhecidos.
O fato era que ele tinha super poderes, mas era um segredo, se acaso alguém soubesse disso poderia perder esses tais poderes subitamente.
Naquela noite ele decidiu não usar sua capacidade de controlar as pessoas com seus pensamentos, resolveu ir até onde poderia suportar seu desagrado com o acontecimento e foi.
Quando o carro parou no semáforo, dois assaltantes invadiram o banco traseiro, ficando um em cada lado de João Pedro, gritaram para o seu pai: é um assalto! Continue dirigindo este carro seu filho duma puta.
Pedro Luís, um médico reconhecidamente famoso, seguiu a ordem dada pelos assaltantes, embora pálido naquele momento, ainda pôde confortar a sua esposa, dizendo pra ela ficar calma e que tudo ia acabar bem.
Um dos meliantes no carro estava um pouco mais nervoso e era bem agressivo, começou a gritar com a mãe de João Pedro e arrancar os seus brincos enquanto esfregava na nuca do seu pai um revolver calibre 45, prata que brilhava durante os reflexos dos faróis dos outros carros ameaçando matar a família inteira se ele não fizesse o que estava mandando.
-Fique calmo, dizia ele aos ladrões e olhava para os olhos do filho, que parecia estar mais calmos do que nunca, indiferente ao fato presente. Filho fica tranquilo daqui a pouco nós chegaremos a nossa casa, dizia essas palavras com voz um pouco trêmula.
João Pedro achou que já era hora de usar os poderes, mesmo sabendo que seria pela ultima vez. Por uma razão justa, ele decidiu que proteger a família seria por uma causa nobre. Dirigiu seu olhar a um dos assaltantes e fez sua mão ficar tão fraca que mal conseguia segurar o seu revolver, olhou para o outro e o fez se sentir tão assustado dentro do carro, que começou a tentar destravar a porta para sair correndo, ao mesmo tempo, que gritava socorro por sentir ameaçado por alguma coisa que só João Pedro sabia.
A mãe do menino ao ver aquela cena, sentiu uma raiva tão estranha que mal cabia dentro de si, ordenou ao seu marido que encostasse o carro próximo a um terreno baldio que tinha no caminho.
-Vamos arrancar estes filhos da puta do carro e descarregar sua própria arma em suas cabeças.
O marido inconformado com tal atitude relutou a ordem e tentou acalmar sua mulher, dizendo que não estava em nossas mãos tal punição, ainda tentando entender o que se passava naquele carro. Como de repente um dos assaltantes se enfraquecera tanto que mal podia segurar sua própria arma? Como o outro estava tendo um ataque de pânico desesperador que dava até dó, sendo ele um psiquiatra renomado e conhecendo tal sofrimento.
Embora relutante, estacionou o carro ao lado do terreno baldio, e destravou as portas, permitindo que saíssem de dentro. A mulher aos berros gritava com eles para saírem dali imediatamente, mas era inútil. Eles estavam petrificados no banco traseiro. Ela ainda não sabia quais eram os planos do menino.
João Pedro então pediu para que saíssem e ficassem nus no meio da rua, depois, que entrassem no terreno abandonado e que duelassem até a morte. Enquanto seus pais fossem assistindo extremamente calmos toda cena que estava se desenhando na sua cabeça.
Os dois assaltantes brigavam com pedaços de pau e pedras que encontraram no terreno, impondo hematomas e sangramentos um ao outro até que caíssem ao chão, exaustos e entregues a morte.
João Pedro achou que já estava na hora de reencontrar o vídeo game, achou que aquela luta poderia se arrastar por muito tempo. Pegou o revolver prateado calibre 45 que brilhava, mesmo no escuro, e caminhou próximo das suas vitimas, descarregando as balas no peito e na cabeça dos assaltantes até que deixassem de respirar.
Estranhamente, ele parecia sorrir, como se tivesse vencido uma fase de um jogo novo. Os pais se calaram e voltaram ao carro como se nada de anormal tivesse acontecido. Apenas, um silêncio ficou no ar, algo de surreal e extraordinário. Prometeram nunca mais tocar no assunto.
No outro dia o telejornal mostrava os corpos, quase dilacerados e roxeados pelo frio. Um homem, uma mulher e uma criança, estranhamente com um sorriso no rosto.

 

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