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Arquivo da Categoria: Acorda ser humano

O aqui agora

O tempo e o espaço são construídos pelo ego (eu) para que o manifesto possa ser percebido. Mas o tempo e o espaço são apenas uma ideia ilusória que é sequestrada do aqui agora pela mente.
Para se perceber o espaço é necessário criar a distância. Um sujeito e um objeto. Algo que vê e algo visto. Isso é o princípio da dualidade, a separação aparente que estamos todos envolvidos.
Em verdade o espaço só existe no aqui, mesmo que você parta em direção a outra cidade, todos os lugares que passar estarão sempre no aqui, nunca estarão lá. Isso mostra que a distância é relativa, só existe na percepção de dois elementos, o que é apenas um se torna dois. Mas o que o Deus uniu o homem não separa. (Separa apenas na ilusão)
Para se perceber o tempo é necessário criar uma linha entre o passado e futuro, dando a ilusão de que o manifesto existe como uma sequência de acontecimentos que se sucedem um ao outro. Mas o tempo apreendido pela mente é apenas uma medida ilusória, pois nunca se experimenta o passado ou o futuro, apenas o presente existe na mente, mas até este presente é questionável, visto que a mente só consegue interpretar o que acabou de passar por ela, e isto tira de imediato seu estado de presença no agora.
Em verdade só existe o agora, eterno e sempre presente, mas não assimilado pela mente, pois é imensurável. A mente só conhece o que ela pode medir, por isso ela cria a ilusão de uma linha sequencial chamado tempo onde os acontecimentos obedecem uma lei que viaja do passado para o futuro.
Visto então que o tempo e o espaço são apenas medidas ilusórias, isso comprova que aquele que os percebe também é ilusório (eu), pois o manifesto precisa estar na mesma natureza e essência para ser apreendido. Quando sonhamos não temos a ideia exata de estarmos deitados na cama e assistir dali o sonho, estamos inseridos dentro do mesmo processo, somos também sonhados. Quando acordamos percebemos que existiu apenas a ilusão de estarmos presentes em um outro estado dimensional.
Mas então, pensamos, se é assim como temos a exata percepção de existirmos? Estamos dentro de um sonho também? Examinaremos com mais calma esta questão, no momento é importante saber que nós não somos quem pensamos ser. Somos iludidos a pensar através do processo humano que somos identidades separadas, quando na verdade somos todos consciência de existir. A mesma e eterna essência conhecedora.1459110_753128268034554_892329463_n
O processo da ilusão se dá pelo fato de querermos presenciar nossa própria criação, tudo que nós vivemos é uma invenção do nosso próprio SER que se multiplica em infinitas células conhecedoras, somos todos um único e mesmo espirito que se estende ao infinito para se contemplar a si mesmo. Porem este processo não extrai nossa essência que é sempre o aqui agora,
nunca nada existe fora do aqui agora, nunca deixamos de presenciar o que quer que seja neste aqui agora. Assim como a língua é capaz de sentir todos os sabores que lhe tocar.
A ilusão de sermos entidades separadas que se perde no manifesto, faz com que busquemos nossa verdadeira realidade, por isso que o processo de sofrimento nos é imposto como uma seta indicadora de volta para casa. O mundo como nos é apresentado, visto pela ótica da mente que aprisiona o Ser em entidade separada em um tempo e espaço, nos faz criar um paraíso que possa nos aliviar após passarmos pelo sofrimento, eis ai a criação das religiões humanas. Inventamos em nossa criação a perpetuação desse “eu” que aparentamos ser, onde ele possa um dia e num outro lugar (criação do tempo e espaço) se acaso ele se comportar de maneira altruísta ou pagar seus erros do passado, desta e de outras vidas, poderá enfim gozar da sua existência.

Ao tentarmos compreender o que somos de verdade, partimos desesperados em busca de ensinamentos que nos ajudem a entender o que se passa, mas ao usarmos a mente estamos destinados ao fracasso, pois a mente é incapaz de nos mostrar o que é anterior a ela e o que não pode ser medido pelas suas ferramentas de compreensão. Então precisamos usar a própria mente para desconstruí-la. Assim como usamos um espinho para arrancar um outro espinho (Ramana Mararshi)
Devemos partir do princípio básico de questionar quem é esse que quer voltar pra casa, mas não colocar ai uma individualidade, pois qualquer sujeito que elegermos como nós mesmos é mais uma ilusão, pois não somos algo que possamos ver, identificar ou aprisionar novamente, somos antes de qualquer coisa aquilo que experimenta a existência como existência e não como algo que a experimenta separadamente dela mesma. Pois ao ser assim voltamos a criação do espaço (eu e mundo)
Em outro erro sutil, não devemos tentar nos conhecer em um processo de busca de si mesmo, pois ao partirmos deste ponto estaremos novamente envolvidos no processo ilusório do tempo. Pois ao entrar no tempo em busca de mim mesmo me afasto imediatamente da minha essência original. Visto que o agora não está no tempo. O tempo é que está no agora. Então não preciso sair deste momento para buscar a mim, devo ser consciente de estar eternamente presente aqui e agora, não como alguém que possa se conscientizar disso, mas como a própria presença atemporal não identificada com nenhum objeto perceptivo. (Qualquer identidade aí adicionada será ilusória) nossa verdadeira realidade não é identificável, se assim fosse exigiria que houvesse quem a identificasse. E assim infinitamente estaríamos envolvidos na busca deste imaginário eu.

Marcos tavares

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A ausência de mim mesmo

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Transitoriedade

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Povo marcado, povo feliz.

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A sociedade vai te ensinar a mirar seus olhos pra fora, tirar de lá, todos os seus valores e fazer você acreditar num mundo cheio de castelos de areia. Tudo que esta fora de nós esta se desmanchando, se estragando e por mais absurdo que pareça, é isso que estamos dando valor.
O mundo estético e estupido da aparência, tornou-se uma meta doentia e de alto valor. Um mundo que é oco e vazio de significados e que não estimula a busca interior de um estado de felicidade real.
A felicidade que nos apresentam não pode durar, não pode nos preencher, estamos sempre em busca de algo mais que fortaleça um ego criado em uma selva consumista.
São construídos, a todo o momento, ídolos estúpidos que se harmonizam com nossos estados de consciência carente de lucidez, que nos forçam a reforçar a incapacidade de olharmos para nós mesmos e procurar o reino dos céus que lá existe independente do que nos é oferecido como migalhas de um mundo externo a nós.
A busca de si mesmo é um exercício estranhamente confundido com o ego, um hóspede inconveniente e impermanente que assume a condição de um ser humano que luta para ser destaque em um mundo de valores questionáveis e manipulados pelos poderes políticos, religiosos e financeiros. Um mundo de poucas oportunidades controlado por uma minoria egocêntrica e escravizadora.
Quando você estiver ambientado e souberem que é mais uma peça neste jogo hostil e algoz, a sociedade vai te mostrar o caminho pra você ser feliz. É nessa hora que você vai aprender a gostar de ser um imbecil socializado como eu me tornei… Salve-se!

 

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Eternidade

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A eternidade não tem nada a ver com o tempo.

O tempo é uma formação mental, uma percepção;

que só é possível ser percebida,

por que aquilo que o percebe não pertence ao tempo

 
 

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Eu sou aquilo

         093765C592274A918181E40CD65A8B67                                                                                                             Dedicado a Nisargadata Maharaj.

Quem sou eu?

Essa resposta exige uma cisão e aquilo que sou não se separa.
Essa indagação vem da mente que se hospeda naquilo que sou e que por sua natureza é mensuradora.
Ela procura os limites de tudo pra caber no seu entendimento.
A mente não sou eu. Aquilo que sou se basta em si mesmo. Já é suficiente ser.
Não tem começo nem fim, não tem forma em si, apenas dá imagem, sentidos e consciência como pensamentos, representado por um eu ilusório que se elege como um objeto sensitivo.
Se fosse possível eu ser algo eu estaria preso à forma, mas a essência daquilo que sou é livre, simplesmente é.
-Vida e morte-Tempo e espaço- Começo e fim- Deus e universo- Dualidade e unidade – Eterno e temporal- Infinito e finito
Todas essas questões não são questões que dizem respeito àquilo que sou, são apenas questões da mente, que se cria nas formas e que por ter tido um começo tem, obviamente, um fim.
Aquilo que sou é consciência desta mente neste aparelho humano, que por um processo ilusório, (arvore do conhecimento) tem se identificado com ela desde o seu nascimento. O entendimento de que eu não sou isso, é o morrer para ganhar a vida eterna, é a simbologia do batismo, o retorno ao paraíso, etc…
Sendo ela, parte do manifesto ilusório e impermanente, cria no reino humano crenças de continuidade por temer o seu fim.
Céu e inferno, reencarnação e evolução, samadhi, nirvana, satori, despertar espiritual, iluminação e outras formas de manutenção da sua identidade são estados pretendidos a sobreviverem à morte como um espirito ou alma para dar continuidade a sua existência (A ilusão de estar separado e de existir como uma mente que luta por sua subsistência e individualidade).
Nenhuma resposta para estas perguntas trará uma verdade em si. Apenas uma verdade individual e interpretativa que apontará probabilidades e subtrairá a paz e o silencio de ser simplesmente o que se é. Sem nada ter que precisar e apenas ser o viver.
A mente é construída com esses moldes no aprisionamento das suas indagações, entre os limites da sua expressão para ser apenas um instrumento de percepção. Aquilo que sou não pode estar em um limite compreensivo, simbolicamente pode apenas ser apontado como o aqui agora consciente, mas até em ser apontado como algo se perde, pois a seta e o caminho acontecem ao mesmo tempo naquilo que sou.
Não pode ser definido, porque o agora abrange o tudo e o nada. O aqui agora é livre de todas essas questões e não se revela com respostas nem com significados porque não tem perguntas, nem é possível de averiguação porque não existe o que possa averiguá-lo.
Naquilo que sou se hospeda um conhecedor e dentro dele surge o universo, paraíso e inferno; dentro e fora; o ser e o nada. A natureza daquilo que sou é subjetiva e não tem definição, não tem objetivo, porque não tem aonde chegar, os lugares é que chegam a ela. Não tem evolução, porque não tem o que conquistar, não tem ao que pertencer e nem algo a querer pertencer. Por não poder em nada se saciar esta livre do desejo, pois é saciável em si mesmo. Por isso é chamada a Testemunha silenciosa do eterno deleite.

Onde você esta? -Aqui.
Que horas são? -Agora.
O que você é? -Este momento.

A LOUSA DO ZEN BUDISMO,
Tradição que existia ao se trocar de Patriarca.

“O corpo é a árvore de Bodhi, (desperto, iluminado,)
A mente é um espelho brilhante.
Com cuidado a limpamos continuamente,
sem deixar que o pó acumule”.

Hui Neng, retrucou e elegeu-se o Patriarca, respondendo:

“Bodhi* não é uma árvore,
nem a mente um espelho brilhante.
Já que tudo é vazio em essência,
onde pode o pó acumular?”

 

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A grande ilusão do eu

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Cada vez que você lê o que eu escrevo, você lê o que interpreta dentro de você, nunca vai ler o que eu quero dizer realmente, pois o que eu quero dizer pertence apenas a mim e ao meu universo. Embora, eu saiba que seja difícil entender, em verdade, cada um tem seu próprio universo.
As minhas palavras vão passar pelo seu filtro interpretativo para depois serem conhecidos pela sua razão.
Todas as vezes que olhar para si mesmo, não verá a realidade de um ser, mas a imagem construída de alguém que você se identificou a vida toda. Nunca esse ser humano que você diz ser “EU MESMO” será o verdadeiro ser que você é.
Até ao dizer estas palavras, primeiro, este hóspede (que você acha que é você) vai achar que é com ele que estou falando e vai de imediato me chamar de idiota. Como se fosse possível haver outro alguém dentro de você. Pois é, aí reside o problema! Você vai procura-lo no lugar errado.
Não existe ninguém aí pra você confrontar, dar uma boa olhada e dizer: Então este sou eu. Enfim achei você que se diz ser EU, desista desta procura, é um conselho de quem não fez outra coisa nesta vida além de procurar algum SER REAL dentro de si.

O olho que tudo vê

A realidade ultima do ser não pode ser conhecida, pois é ele que esta conhecendo, assim como o olho não pode se olhar ou o dedo não pode tocar a si mesmo.
Entendido isso, vamos então, mudar de assunto, o que eu digo é inútil para minha vida e não vai me levar a lugar nenhum. Você poderá pensar assim, lendo estas palavras. Mas será mesmo?
Se existe alguém ou algo que observa tudo que sou e não pode ser observado, então o que é visto (neste caso, aquele que você chama de EU) não é a verdadeira consciência, o verdadeiro observador, visto que é você que observa o mundo e tudo que nele contem, incluindo aquele que você chama de EU mesmo! Não deixa de ser uma visão, uma ideia de si na falsa interpretação desta realidade ultima.
Palavras podem ser invalidas na mente de quem não tem interesse de ir além, assim como este texto está direcionado á quem dele souber tirar proveito, eu apenas reforçarei o que digo, para que aqueles a quem for dirigido estas palavras possam ter o seu sentido aproveitado no alivio de muita incompreensão que, como nuvens carregadas, escurecem a nossa visão e pensamentos.

O mito da humildade

Quem sou eu? Esta é a pergunta que se faz agora e talvez a pergunta mais feita pela humanidade e de forma alguma tenho eu a pretensão de responder esta pergunta.
Eu não sei quem sou eu, mas sei que não sou esta pessoa que vejo viver no mundo. E isto para mim, neste momento, é suficiente saber.
Agora que descartei ser o que é visto, basta seguir adiante sem esta ilusão. Então as coisas que me importava tanto em mim, começam a ser menos importante, começo o processo da não identificação com o corpo e mente que imagino ser eu.
Enfim o processo da humildade se instala em mim e pareço menos apegado a esta imagem que faço de mim. Pode não parecer, num primeiro momento, que isto tenha algum valor para você, muito pelo contrário, ser humilde é para pessoas incapazes e derrotadas. Eu vou lutar por mim! Pensaria você assim, esse papo de observador e observado é uma falácia. Não julgue com tanta pressa esta palavras, pense um pouco! O estado de realização e compreensão precisa passar pela anulação de si. Parafraseando Jesus “Aquele que quiser salvar a sua vida a perderá, mas aquele que perdê-la a salvará

 

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Crianças mimadas

1185871_619527541424757_2063883708_nVocê é eternamente responsável pelo que cativa.
A. S. Exupéry (autor de O Pequeno Príncipe)

Durante algum tempo eu fui adepto a esta frase e até achei que sim, que era minha, a responsabilidade das loucuras e ilusões dos outros por causa das minhas ações.
Felizmente, isso faz parte do passado, não penso mais assim e previno a quem lê este artigo a também se livrar disso imediatamente.
Essa frase é até bonitinha, mas totalmente, ordinária. Ela responsabiliza (culpa) nosso comportamento e a forma humana de viver, como se fosse crime ser o que naturalmente somos e deixar de ser a expectativa infantil que os outros desejam que fossemos. É mais uma má interpretação cega da mente humana, que tem esta mania infeliz, de julgar tudo e todos, mas não é julgada por nada, nem mesmo pelas atrocidades que faz para nos distanciar, cada dia mais, da nossa verdadeira natureza divina.
Somos responsáveis por nós mesmos, que mais?! O outro é só um instrumento do nosso exercício diário, aquele que vai mostrar nossos defeitos e os limites que devemos vencer. (se quisermos…)
Essa frase quer culpar o outro se ele não nos agrada, pois ele deve sempre apoiar a ilusão de sermos eternamente a mesma merda. Pobres crianças mimadas, nós somos! Que evolução do caralho é essa?!
Esta frase é muito boa para as crianças que estão em fase de aprendizado e ainda não conseguiram ver em si mesmo a possibilidade de superar os obstáculos que a vida irá lhes dar e exigir que se faça alguma coisa por si mesmo, simplesmente para ativar sua capacidade de superação.
O único instrumento que a vida tem, para este desígnio, é o convívio humano. Ninguém é uma ilha e vive neste mundo para ser preservado das dificuldades que viver traz em si. Se este fosse o caso, seria melhor ter ficado no pinto do teu pai para não poder culpar (responsabilizar) “o outro” pelas paixões que é preciso experimentar enquanto se vive.
Pare de chorar e de atribuir ao seu próximo, o dever dele te fazer feliz, essa responsabilidade será sempre sua. Aprenda a amá-lo de verdade, não de mentirinha. Aceitando-o como ele é e não tentando transformá-lo em um objeto particular do seu egoísmo.

Acorda, ser humano!