RSS

Arlequim

544859_460340093994119_1029301106_n

 Quando eu fui criança,
todas as coisas eram poesias
todas as palavras eram ingênuas, indefesas
não sabia o que era falta,
não precisava ser preenchida,
de coisas que se perdiam com o tempo.

Depois o mundo foi corrigindo minhas falas
tornou-me silenciosa, defensiva
insuportavelmente triste
tão apática diante das cores
que nem mesmo o arco-íris
que um dia me habitou
foi capaz de sobreviver,

Ao ser criança,
todos os caminhos eram destino
toda dúvida era inofensiva,
todo amanhecer era novo, tinha vida
tanto que minha íris se engrandecia
diante de qualquer motivo
depois o mundo cerrou meus olhos
e aquilo que era tão grande
tão imenso e descabido
ficou pequeno neste horizonte
desabitado de arlequim,
sem nada mais pra rimar em mim.

Marcos tavares

 
 

O aqui agora

O tempo e o espaço são construídos pelo ego (eu) para que o manifesto possa ser percebido. Mas o tempo e o espaço são apenas uma ideia ilusória que é sequestrada do aqui agora pela mente.
Para se perceber o espaço é necessário criar a distância. Um sujeito e um objeto. Algo que vê e algo visto. Isso é o princípio da dualidade, a separação aparente que estamos todos envolvidos.
Em verdade o espaço só existe no aqui, mesmo que você parta em direção a outra cidade, todos os lugares que passar estarão sempre no aqui, nunca estarão lá. Isso mostra que a distância é relativa, só existe na percepção de dois elementos, o que é apenas um se torna dois. Mas o que o Deus uniu o homem não separa. (Separa apenas na ilusão)
Para se perceber o tempo é necessário criar uma linha entre o passado e futuro, dando a ilusão de que o manifesto existe como uma sequência de acontecimentos que se sucedem um ao outro. Mas o tempo apreendido pela mente é apenas uma medida ilusória, pois nunca se experimenta o passado ou o futuro, apenas o presente existe na mente, mas até este presente é questionável, visto que a mente só consegue interpretar o que acabou de passar por ela, e isto tira de imediato seu estado de presença no agora.
Em verdade só existe o agora, eterno e sempre presente, mas não assimilado pela mente, pois é imensurável. A mente só conhece o que ela pode medir, por isso ela cria a ilusão de uma linha sequencial chamado tempo onde os acontecimentos obedecem uma lei que viaja do passado para o futuro.
Visto então que o tempo e o espaço são apenas medidas ilusórias, isso comprova que aquele que os percebe também é ilusório (eu), pois o manifesto precisa estar na mesma natureza e essência para ser apreendido. Quando sonhamos não temos a ideia exata de estarmos deitados na cama e assistir dali o sonho, estamos inseridos dentro do mesmo processo, somos também sonhados. Quando acordamos percebemos que existiu apenas a ilusão de estarmos presentes em um outro estado dimensional.
Mas então, pensamos, se é assim como temos a exata percepção de existirmos? Estamos dentro de um sonho também? Examinaremos com mais calma esta questão, no momento é importante saber que nós não somos quem pensamos ser. Somos iludidos a pensar através do processo humano que somos identidades separadas, quando na verdade somos todos consciência de existir. A mesma e eterna essência conhecedora.1459110_753128268034554_892329463_n
O processo da ilusão se dá pelo fato de querermos presenciar nossa própria criação, tudo que nós vivemos é uma invenção do nosso próprio SER que se multiplica em infinitas células conhecedoras, somos todos um único e mesmo espirito que se estende ao infinito para se contemplar a si mesmo. Porem este processo não extrai nossa essência que é sempre o aqui agora,
nunca nada existe fora do aqui agora, nunca deixamos de presenciar o que quer que seja neste aqui agora. Assim como a língua é capaz de sentir todos os sabores que lhe tocar.
A ilusão de sermos entidades separadas que se perde no manifesto, faz com que busquemos nossa verdadeira realidade, por isso que o processo de sofrimento nos é imposto como uma seta indicadora de volta para casa. O mundo como nos é apresentado, visto pela ótica da mente que aprisiona o Ser em entidade separada em um tempo e espaço, nos faz criar um paraíso que possa nos aliviar após passarmos pelo sofrimento, eis ai a criação das religiões humanas. Inventamos em nossa criação a perpetuação desse “eu” que aparentamos ser, onde ele possa um dia e num outro lugar (criação do tempo e espaço) se acaso ele se comportar de maneira altruísta ou pagar seus erros do passado, desta e de outras vidas, poderá enfim gozar da sua existência.

Ao tentarmos compreender o que somos de verdade, partimos desesperados em busca de ensinamentos que nos ajudem a entender o que se passa, mas ao usarmos a mente estamos destinados ao fracasso, pois a mente é incapaz de nos mostrar o que é anterior a ela e o que não pode ser medido pelas suas ferramentas de compreensão. Então precisamos usar a própria mente para desconstruí-la. Assim como usamos um espinho para arrancar um outro espinho (Ramana Mararshi)
Devemos partir do princípio básico de questionar quem é esse que quer voltar pra casa, mas não colocar ai uma individualidade, pois qualquer sujeito que elegermos como nós mesmos é mais uma ilusão, pois não somos algo que possamos ver, identificar ou aprisionar novamente, somos antes de qualquer coisa aquilo que experimenta a existência como existência e não como algo que a experimenta separadamente dela mesma. Pois ao ser assim voltamos a criação do espaço (eu e mundo)
Em outro erro sutil, não devemos tentar nos conhecer em um processo de busca de si mesmo, pois ao partirmos deste ponto estaremos novamente envolvidos no processo ilusório do tempo. Pois ao entrar no tempo em busca de mim mesmo me afasto imediatamente da minha essência original. Visto que o agora não está no tempo. O tempo é que está no agora. Então não preciso sair deste momento para buscar a mim, devo ser consciente de estar eternamente presente aqui e agora, não como alguém que possa se conscientizar disso, mas como a própria presença atemporal não identificada com nenhum objeto perceptivo. (Qualquer identidade aí adicionada será ilusória) nossa verdadeira realidade não é identificável, se assim fosse exigiria que houvesse quem a identificasse. E assim infinitamente estaríamos envolvidos na busca deste imaginário eu.

Marcos tavares

 

Possibilidade infinita

Tudo que existe é silencio                          shutterstock_1074390
mesmo o ruído do mundo
existe no silencio.

Tudo que se vê é vazio
mesmo as formas e objetos
existem no vazio.

Ser silencioso e vazio de formas
não é assustador
é a possibilidade infinita
de todas as coisas existirem.

O que quer que aconteça
eu estarei lá
nunca experimento a ausência
de mim mesmo.

 
 

Etiquetas: , ,

Nos teus braços

€Nos teus braços

Nos teus braços me esqueço,
perco meu endereço,
a fome, o rumo, a sede,
o motivo sabe lá de que!

Nada parece me ferir
nem saber por quê
pude já sorrir
sem estar com você

Nos teus braços me aqueço
penso sei lá o que!
nada me vem a cabeça
que não seja
abraçar você.

Nos teus braços sou festa,
dá vontade de viver,
tenho confiança pra entregar,
tudo que ainda me resta

Nos teus braços viro criança
esqueço os motivos que chorei,
fico sem saber por quê
foi preciso viver,
até encontrar você

 
5 Comentários

Publicado por em 02/05/2014 em POESIA, sobre o amor

 

Etiquetas: , , , , ,

Braços de vento

Tudo que pertence ao tempo:540296_130199423778499_706613143_n
vai passar,
…só não vai
O que o vê passar.

Não pertenço a ele,
vejo-o se desmanchar,
não sou um corpo que sente,
nem uma mente que se inventa,
sou a viagem que lamento,
que tento controlar.

Viajo sem saber,
os caminhos que virão
vejo-me viver e passar,
até que ele possa me mostrar
-onde devo morrer.

Ele não tem assento,
nem onde descansar.
partirei com ele,
em seu acalanto,
conhecerei os seus segredos
carregado em seus braços de vento.

 

 
 

Etiquetas: , , ,

Impermanência

O desejo da posse
é uma agitação que inquieta a alma.
é um sentir-se incompleto e subestimado
e depois preencher com
coisas que vão se estragando.

É se entregar a inútil ilusão
de sonhar que algo lhe pertence
num mundo em que nada
pertence a ninguém definitivamente.
Tudo verdadeiramente
pertence a impermanência.

Aquilo que não temos…
não precisamos.
O que nos falta…
não merecemos.
O que somos…
já nos basta.

 
 

Etiquetas: , , ,

Imagem

A ausência de mim mesmo

ausencia

 
 

Manto da ilusão

1454752_757088957638485_354116471_nO que não muda, desconheço.                  

Não defino essência do que não vibra,

do que não tem começo, nem nevralgia,

 

Não reconheço aquilo que não se vê na luz.

Não tem externo, nem limite.

Aquilo que num descuido, no múltiplo se perde

e torna-se medida,

mente, matéria, miséria,

retina, semente, raiz

e cria num olho vil

-um mundo ilusório e doentio.

 

Não tem vida ou morte, nem tudo ou nada,

só um indo e vindo indefinível.

Um infinito aqui e agora acontecendo,

sem consciência de si.

 

Pelo desejo do pecado,

um manto se ergue nas formas.

e de repente se torna,

mãos, pés, orelha, câncer,

pinto, buceta, rins, carranca…

olho por olho de cada experimento,

que bate no coração,

distrai minha realidade

e se encanta com a ilusão.

 

 
 

Crimes que carrego

Meu olho na janela                                            xx_71_by_scarabuss

não expressa sentimentos,

ao longe vejo luzes,

que não revelam de onde eu vim.

 

Eu não sei o que procuro,

nem mesmo se perdi,

me desfiz dos meus caminhos

pra não saber voltar depois.

 

Já não sei mais do que eu peno,

nem os crimes que carrego,

eu só tenho este punhal,

que me rasga enquanto eu vivo.

 

A chuva me conforta,

entre as veias da cidade

eu só tenho este destino,

que não permite que dele eu fuja

 

 

 
 

Dias mórbidos

No meio do nadatumblr_mncmw8KNvv1qzxzvao1_1280         

algo me acorda,

não sei o que me alenta,

nem o que me devora.

 

Tenho medo da noite,

da morte lenta,

da foice cega

que me alimenta.

 

Nada sei de mim,

vou me descobrindo

naquilo que aconteço,

tenho medo

de querer fugir

daquilo que narro,

me abandonar

junto aos espasmos

que me desassossega.

 

Não aprendi a esperar,

quero que me fira logo

os dias mórbidos

e de escuridão

eu que me ateio fogo

e me vejo queimar

quando não tenho mais

pelo que lutar

e clamo seu perdão

por não saber mudar.

 

 
1 Comentário

Publicado por em 06/04/2014 em POESIA, versos tristes