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Onde tudo acontece

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O barulho do pensamento
e o ruído dos carros
pedem insistentes que eu os assista.
Não me incomodam,
sou o silencio onde tudo vibra.

O medo da morte
e da vida selvagem,
estimulam-se em mim,
deixo-os vir, não me interessam,
sou o espaço onde nada permanece.

A ira de deus
e o perfume do diabo,
duelam em minha mente,
deixo-os habitarem em mim,
não me importo,
sou o tempo onde tudo acontece.

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A fé no banco dos réus

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A hipocrisia da fé em Deus

Segundo definições colhidas no meio religioso, filosófico e fontes alternativas, Deus é a inteligência suprema, justiça perfeita, amor sublime e causa primaria de todas as coisas.
Nada pode acontecer se estas causas não estiverem em ação, a respeito disto a maioria esmagadora do segmento religioso está de acordo.
Isto implica dizer que se cair um poste na minha ou na sua cabeça, o único agente é Deus.
Pois nesta ação estará: o amor sublime (o amor acima de todas as coisas) justiça perfeita (ação e reação) e inteligência suprema (onipresença, onipotência e onisciência).
O exemplo do poste também vale para as bactérias, as deformações físicas e mentais e todo manifesto vibrante do qual se é sensitivo.
Fazem parte deste cenário, a imagem estonteante de um por de sol, o orgasmo, o amor correspondido, a felicidade da conquista de um objetivo, a saúde recuperada e tantas outras possibilidades desta manifestação. Tudo que move é sagrado.
Se aceitássemos essa pequena definição, a humanidade já estaria salva e todas as coisas estariam corretas e organizadas por esse poder infinito. Desta forma, sim! Teríamos enfim: fé em Deus.
Mas aquilo que chamamos de fé é uma tentativa fálica de organizar o mundo, conforme nossos critérios. O mundo que é dado é também retirado a qualquer momento e nada podemos fazer. Nem mesmo assim, deixamos de tentar ser o dono de suas ações e do ambiente, num exercício infantil de controle. Por mais que esperneiem as ciências agregadas, a psicologia e a filosofia e mesmo até, a religião, nós não somos controladores de nada, antes controlados por uma força superior a nossa que imaginamos poder negociar.

Negócio da China.

Por sermos humanos somos dotados de ego, agente individualista, que quer nos apartar da humanidade e construir um castelo próprio para as nossas fantasias. Um reino que nos aproprie do julgamento sobre o certo e errado e que nos faça sentir superiores aos outros e assim atestar uma existência de destaque.
Como os acontecimentos da vida não atestam essa sandice o mundo externo e a humanidade passa a ser objeto de conquista.
Saímos à caça de aliados que nos auxiliem na tarefa de valorizar a imagem representativa de um vencedor. A mídia sabe que você esta em busca desta autoafirmação e nomeia os bens materiais como objetos representativos de superioridade. A busca para amealhar bens e conquistar um trono para o assento da bunda desembesta: Fica estabelecido o objetivo humano. Num jogo com regras obscuras e prêmios questionáveis.

Negociando com Deus.

Na luta desenfreada e irracional de se tornar vencedor, o homem enfrenta na vida um inexorável inimigo chamado “destino”, do qual não faz ideia de como moldá-lo a sua vontade.
Nessa falta de rédeas e sensibilidade altruísta de se render a soberania da destinação da vida, novamente sai à caça de aliados e encontra na religião a promessa de uma vida melhor e mais ajustada a seus anseios egoístas, onde tem na fé, seu maior trunfo.
A fé se torna uma força interior capaz de “remover montanhas”, e nesta crença confundida com a ótica humana de saber o que lhe é melhor, torna a vida um campo de ideologias individualizadas onde não existem acordos nem aceitação de viver em sintonia com a vida universal. O que o outro pensa, deseja e precisa me oprime, devo desconsiderar sua existência por minha moral construída em cima das minhas ilusões, pois o mundo precisa satisfazer a minha vontade, mesmo que ela seja regida pela minha visão mesquinha de convivência.
A fé que começo a construir a partir deste raciocínio, descredencia Deus de ser a causa primaria de todas as coisas e dá a ele a impotência diante de tudo. Um mero observador que senta num trono e fica torcendo pelas conquistas que almejamos. Uma imagem dantesca onde imperaria o maniqueísmo e o acaso.
Desta forma eu aceito a ideia do diabo como o outro que não aceita as normas de moralidade e ética que eu creio como reais. O Deus que eu construo luta por mim, enquanto o diabo luta pelo outro (“o inferno são os outros” – Jean Paul Sartre), Neste ambiente se ergue a religião, onde busco adeptos a minha crença.
A religião é o instrumento de descontentamento com a realidade. A terra prometida de ilusões humanas, Não se trata de Deus. Segue assim, um mapa comportamental (cartilha do medo), para aquisição de um objetivo insubstancial.
Antes, uma fuga do momento imediato para um futuro que nunca se apresenta por não existir como manifesto. O futuro nunca está a nossa disposição como experimentação ou usufruto, em verdade é um engodo que nos entregamos por não sabermos lidar com o momento único da existência: O agora.

A verdadeira fé.

Aquele que tem a aceitação no que acontece e age com complacência com o destino, tem a fé em sua verdadeira essência, não se pode confundir com um comportamento omisso diante dos acontecimentos. Não é disso que se trata! Fé em Deus é entrega total na oportunidade de viver, é submissão às leis da natureza e existência. É um exercício de atuação na idealização divina e amorosa, na qual, a nossa adaptação e representação se tornam intimamente qualificada para novos papeis na criação. Papeis que vão se tornando mais complexos e mais desafiantes, conforme a superação. Esta é a conquista real, o reino dos céus, a evolução espiritual, o samadhi, o nirvana, a consciência cósmica, etc…
Ter uma vida, completamente desgraçada é um papel que sua verdadeira essência se propõe a atuar(Deus não joga dados e não erra). Pedir a Deus que mude seu papel através da fé é fazer a inútil tentativa de ir contra a sua verdadeira natureza e suas habilidades, contra aquilo que se é mais apto a realizar no teatro da existência.
Infelizmente a maioria irá pensar que isto é uma tremenda idiotice, assim como eu já pensei, mas com o passar do tempo e essa ideia batendo na cabeça, vivenciando cada dia com esta verdade, fui me tornando muito mais livre e muito mais feliz. Aprendendo a ter fé na vida sem me ocupar em me revoltar com o destino e não medindo forças com Deus e as circunstancias da vida. Apenas deixando o amor tomar conta do meu ser, num gesto grandioso de humildade e respeito por Deus, suas regras e seus planos de criador.

 

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Eu sou Deus

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Eu sou Deus, o manifesto,
não estou separado de nada, estou em tudo.
Sou o vazio que tudo emana.
O eterno aqui, o infinito agora.
Pare a procura, sossegue o coração,
não há nada pra conquistar, a não ser, se desfazer
de uma ilusória imagem de si

Eu sou Deus, mas não sou só o seu.
Nada excluirei, não destruirei nenhum filho meu.
Não ouvirei os teus vãos lamentos,
não apartarei seus inimigos,
eles não são meus, você os criou.
Nada os destrói, apenas constrói…
O que te afasta de mim.

Eu sou Deus, engole este choro.
Levanta a cabeça, segue o seu roteiro.
Sou a fábula que você quis participar.
Escolhi a dedo o seu papel.
Não ouça o juiz da sua mente,
ele não sabe perdoar, é ele o seu algoz, o satanás.
Ninguém mais almeja tanto,
calar a voz que te convida a retornar a mim.

Eu sou Deus, mas não me defina,
não caberei nas tuas formas, nos teus sentidos,
nas ilusões de um mundo de escolhidos e de vingadores
que sorriem quando excluem seus perseguidos.
Um paraíso humano,
cercado de armas pra travar ideologias,
onde se cria os condenados e elege os pecadores
em leis que favorecem a sua mesquinharia.

Eu sou Deus, mas não sou fiel,
não sou a sua espada.
É só você que expele fel
e que me usa como ameaça.
Pensa que aceito ser uma arma sua.
Pensa que é meu dever enfeitar sua opulência
e me conquista dobrando os joelhos
no seu altar privado de elegidos,
mas não sabe estender as mãos
a quem rasteja por um pedaço de pão.

Eu sou Deus, sou uma conquista.
Não faço exércitos, não tenho oponentes,
estou nas pessoas que você quer destruir ,
sou os espinhos que você vai amaldiçoar
e que só querem te fortalecer

Desperte-me dentro de ti,
não se apegue a nada
pra te prender aqui.
Esteja pronto pra partir de mãos vazias
e render-se a criação pra entender
a verdade que eu vou te revelar
e dará forças pra vencer
o hospede humano que te habita
num corpo e mente que te isenta
e que na verdade não é você.
É apenas um personagem
que você inventa.
e aceita ser o que te faz sofrer.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em espiritualidade, POESIA

 

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