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Arquivo de etiquetas: poemas de reflexão

A minha jura

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Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo.

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Publicado por em 15/02/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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O Corpo

Todos os dias eu temo despertar 550523_371364946244550_2097831204_n
o câncer que me habita,
dorme dentro de mim.

Ele vai me matar.
Levar os meus sentidos.
Apresentar-me ao silencio.

Ele me ameaça com sutilezas, educação.
Tomará pra si o corpo que uso e sujo
com minhas imundices

Este instrumento que animo
que tanto me serve
deitará sobre a terra, frio.
Servirá aos vermes,
será alimento de outros seres
inconscientes de si.
Assim como ficarei,
quando o câncer ceifá-lo de mim.

 
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Publicado por em 06/01/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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Meus destinos

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Eu fico aqui
e olho pro tempo
que me olha
e me cobra perdê-lo.

Ferozes são
os meus destinos
que por serem tantos,
são nenhum.

Ainda que eu lhe siga
com meu faro,
não percebo por onde ando
nem aceito por onde me leva.

Me conduz e me acusa
de levá-lo,
me traduz e me condena
de buscá-lo.

Ainda que lhe te rogue
Que não me aflija
Não se comove quando eu choro
nem se importa que eu me fira

Quem dera!
Por um instante apenas:
desmascará-lo.

 
 

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Nem mesmo o que já fui

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Não sou o corpo 

Sou aquilo que lhe anima.

Não sou os sentidos

Sou aquilo que os traduz.

Não sou sequer meu cheiro

Sou aquilo que o repele.

Não sou nem mesmo o que já fui,

Já me perdi tem muito tempo.

 
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Publicado por em 21/11/2013 em POESIA, versos malditos

 

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Transitoriedade

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Espetáculo

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A mente é um alucinógeno,
O corpo mais um comparsa,
O sonho anima os fantoches
dentro de uma caixa oca
de ecos e espelhos.
A plateia é seu cúmplice
que se deixa encantar
esquecendo o que se é,
fascinado com a magia
de se ver no outro refletido
e imaginar existindo
no cárcere de um eu.

 
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Publicado por em 10/11/2013 em espiritualidade, POESIA

 

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Passageiro

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Tudo pulsa.
É cedo ainda.
Deixei os inimigos
dormirem comigo
nas mesmas armas que
ainda me ameaçam.

Os olhos dos abutres,
vigiam meu vaguear
e nas trevas em que vivo
não temo o teu olhar

Tudo em volta,
volta nas manhãs.
(nas aspirais de vida)
às margens em que vivo
e enceno existir

A cidade redemoinha
sou mais um passageiro.
Resiste nas esquinas
os desafetos
que temo reencontrar.

A eternidade tem vigílias
expõe-me ao se revelar,
custa ter em minha face
o seu espelhar,
custa ver em minhas mãos
a cura carregar.

 
 

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Sonhos na mochila

mochila

Eu também já fui soldado,
já fui moldado a guerra,
já estive na terra
rastejando pelo chão
por não saber negar.

Eu também já fui julgado,
condenado por heresia,
tive que calar a voz
por não querer cantar
os versos dessa hipocrisia.

Eu também já fui premiado,
ganhei medalhas de sonhador,
admirado por ser um bom ator
representado seres sem alma,
(personagens que não sabiam sorrir).

Eu também não pude fugir
tendo sonhos na mochila
e um coração cheio de valsa,
mas fui vendo meus sapatos
não caberem mais em mim
neste mundo de pessoas descalças.

 
 

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Medo de errar de novo

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Tantas coisas cabem nos meus olhos,
e tão poucas no coração.
Um mural de fotos velhas,
horizontes que me estimulam viver,
mentiras que um dia foram verdades
alguns amores
que foram ficando
e não souberam partir.
Lembranças que eu preservo
com medo de me esvaziar.

Tantas coisas já habitaram meu coração
e tão poucas ficaram,
o ódio de ser tão frágil,
o sereno nas calçadas que pisava
sem precisar chegar.
Pequenos desafios
que venci inutilmente
e essa vontade
de querer aplumar meus passos,
com medo de errar de novo.

Tantas coisas moram dentro de mim,
movem-se nos meus sonhos e
ajustam meus braços pra alcançar.
Batem no peito com mais força
e ensinam esperar
a hora certa de chorar,
a luta certa pra vencer,
a pessoa certa pra sorrir,
e o chão seguro pra me levar.

 
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Publicado por em 10/09/2013 em incentivo, POESIA

 

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Eu vou errar

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Eu vou errar…
como todo ser
que pensa em acertar,
que luta pelo que crê.
Irei até onde os pés deixarem
e o coração pretender sonhar.

Eu vou errar…
fraquejar diante dos meus limites,
da fronteira que me impedirá prosseguir e
ver no peso da minha pedra
o motivo que fará
me entregar.

Eu vou errar…
querer abrigo
ser amado
por quem puder me amar,
sofrer por quem me fizer
sentir vontade de chorar.

Viverei sempre
querendo acertar,
sem saber se o caminho
me fará chegar
ao destino que quis traçar,
mas poderei olhar pra trás
e ver que fiz
tudo que estava
em minhas mãos
poder fazer.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em incentivo, POESIA

 

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