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Arquivo de etiquetas: poesia de marcos tavares

O Corpo

Todos os dias eu temo despertar 550523_371364946244550_2097831204_n
o câncer que me habita,
dorme dentro de mim.

Ele vai me matar.
Levar os meus sentidos.
Apresentar-me ao silencio.

Ele me ameaça com sutilezas, educação.
Tomará pra si o corpo que uso e sujo
com minhas imundices

Este instrumento que animo
que tanto me serve
deitará sobre a terra, frio.
Servirá aos vermes,
será alimento de outros seres
inconscientes de si.
Assim como ficarei,
quando o câncer ceifá-lo de mim.

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Publicado por em 06/01/2014 em estar no mundo, POESIA

 

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Paisagem dos sonhos

triste despedida

Esse dia é um vazio sem certeza,
um ardume vão,
um trem de partida
sem passagem subterrânea,
sem nada poder dizer
até onde vai
a janela dos meus olhos
que carrega com ele
como prêmio.

Esse dia é uma tristeza vazia,
uma encenação de existir
que não vai revelar
o motivo sórdido de querer fugir.
Nem o destino incógnito
que traça em mim,
sem nada poder saber
e nada poder sentir
até onde dói:
a paisagem dos sonhos
que passa por mim
como vento.

 
 

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Avarias do meu ser

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Eu nem sabia!
temia ser:
as tuas mãos.
E da luz dos teus olhos
irradiarem
os meus dias.

Eu nem podia
(sendo incerto)
hospedar-me em ti,
sendo eu,
velejador de ventos hostis,
declarar o amor que havia.

Nem mesmo tinha,
em meio a ermos horizontes,
caminhos dentro de mim
e em teus casulos percorri
as avarias do meu ser.

 
 

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Humildes versos

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Navego rumo nada,
no teu mar,
amargo e árduo
meu esboço inacabado
e uma navalha como jugo.

A teus pés eu entreguei
meus humildes versos,
Em tuas mãos eu revelei
meu universo
como um destino incerto
que por caminhos desertos
procuravam por ti.

Ah! Não fosse
essa febre que pulsa
nos meus olhos
(de fêmea e cio).
Essa saliva,
que me devora,
neste teu cheiro que me droga
(e me vicio).

Ah! Não fosse
esse meu coração
que é tão frágil e só,
eu não temeria
o risco de naufragar,
morrer sem saber velejar
viver sem ter
podido te amar.

 
 

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Palavras de amor

despeddoa 06

Toda paixão embolora,
deixa solidão, leva felicidade,
faz estragos lá dentro
quando vai embora

Toda paixão desestrutura,
muda nossos rumos, subjuga,
decide de repente desagregar,
ser insensata, criar ruptura.

Toda paixão desafora,
acaba em si mesmo,
impõe outra realidade,
embriaga de saudade
e nos devora.

Toda paixão é letal
amesquinha, desarvora,
faz perder o chão,
vai definhando o coração,
como um temporal.

Toda paixão é vendaval,
desconhece o amanhã,
se encanta por outras canções
e parte sorrateira, deixando
os nossos olhos distantes
se perderem em horizontes,
junto com pingos de chuva
que escorrem pela janela,
esperando amanhecer
e deixar de doer.

Toda paixão pode voltar,
num olhar mais demorado,
nas cores vivas de um cetim,
em coisas imprevistas, banais,
como os versos de uma melodia
ou a pele perfumada de um abraço,
sentido sem querer

Cuide com zelo,
pode ser amor
e querer ficar,
curar danos antigos,
encontrar as palavras de amor
que se perderam
lançadas ao chão repartidas,
desalinhadas sem perceber,
por ilusões que ainda doem
em paixões que já partiram.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em desilusão

 

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Pedaços de voce

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Você me deu
pedaços de você,
me deu
destrezas,
coisas raras,
rodovias.

Me deu paixão,
habilidades
que eu desconhecia
nomeou estrelas
com nossos nomes.

Você partiu
me tirou valentia
deixou bueiros,
buracos negros,
doenças
que eu
não tinha.

Me deu chuvas
chagas na pele,
apatia,
saliva
que amarga,
que ainda
anestesia.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em desilusão, POESIA

 

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Cataventos

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Vem bagunçar minha vida,
borrar minhas agendas,
desarrumar minha história.
Tirar minhas camisas de força
rir de mim,
das besteiras que acredito,
das coisas que quero
arrumadas e tristes.

Vem me ensinar a dançar,
falar mandarim,
tirar uma tarde de mim
pra ver o sol se por,
deitar na grama,
fazer esquecer
meu riso sofredor
e anêmico.

Vem, às avessas,
na contra mão,
na escuridão da tempestade
retirar de mim,
o mofo do coração
a rigidez das palavras
que me acorrentam
à minha insensatez

Vem jogar coisas fora
entulhos do passado,
sonhos soterrados
que ainda zelo.

Vem me tirar o chão,
fazer voar, me fazer de tonta
reinar em mim.
Destruir meu castelo
de faz de conta.

Vem ventilar
meus cataventos,
pintar meus olhos de arco íris
que eu prometo te deixar partir
quando eu descobrir
que não sou capaz
de te ver feliz
no mesmo tanto
que me verei
junto a ti.

 
 

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Seu sabor

corte

Me esprema, me assanhe,
arranque de mim todas as senhas.
Impeça que eu tenha palavras na goela,
eu quero perder a fala
na tua boca.

Me fume,
me arrume pra festa,
me cheire, saboreie,
dispa-me em aflição
e se esfregue no suor,
que evapora nesta paixão
e queima meus poros.

Me arreganhe, me coma,
se engasgue de mim,
deste meu amor,
que me faz renascer
do seu calor.

Me pise, me suje
dos seus líquidos.
Do seu sabor
eu tenho vida
e me afogo
se preciso for.

 
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Publicado por em 07/09/2013 em POESIA, sensual

 

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Entre seus vestidos

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Você me afoga
beijando minha boca,
acorda me cobrindo
entre os seus vestidos,
(… dorme me acudindo).

Você me acomoda,
roça minha pele,
me acolhe entre seus braços,
me deixa fraquejar,
(… dorme me cuidando).

Você me incendeia,
descobre meu sorriso,
deixa eu guardar segredos,
no seu silencio,
(… dorme me zelando).

 
 

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Enxurradas

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Sou um bicho. Tenho cáries.
Fuço as ruas como enxurradas.
Sou sarjetas, quando nua.
Fujo só, quando assustada.
Sou silaba que se junta quando iro,
palavras que se amontoam quando calo.
Uma janela que reflito
quando me espelho.
Eu parto em febre se preciso maturar.
Os meus olhos tem das ruas as fuligens.
Memórias das esquinas acidentadas.
Não sei dos dedos o que fomentam,
nem mesmo neles, o que rascunham.
Ás vezes,
eu me quero barro, desenhando.
Pedaços de estradas, me levando.
Folhas de outono ao chão, se misturando,
e chuvas que acalentam o coração.
Outras vezes,
sou semblante, desfigurado.
Sob o céu em cinzas da cidade, sou flagrante.
Da poeira que se ergue sou errante.
Num estado de verbos indefiníveis,
as coisas são.
Partilhei segredos fúteis e violei canções.
Cheguei aqui entre seus dentes como fome
e mesmo, sem saber, o que ainda era são,
fui tomando posse deste chão.
 
 

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