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Toque de recolher

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Dou alimento aos canibais
do meu próprio sangue
e deixo migalhas
serem disputadas
entre bichos e miséria

Vou tocando meu berrante
por não saber o que me cala,
neste mundo de famintos
animais surreais.

Vou andando pelas ruas,
como quem tem
o direito de sonhar,
até que o toque de recolher
denuncie o que é real,

Vou vagando em pensamentos
como quem sabe o nome
do que é certo pra viver,
até que o que medo da fome
decida de quem me alimentar.

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Crenças

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Não quero seu deus!
Enfia ele no cu.
Enfia também o seu paraíso,
os seus rituais, seus samurais,
seus ancestrais,
suas rezas,
suas orações,
suas vibrações…
Enfia tudo no olho do seu cu.

Não quero que me chame
pra lugar algum,
pra porra nenhuma.
Macumbas, novenas, cultos
passes, descarrego, louvação
terreiros, benzimentos,
seja lá o que for…
Nada, me interessa.
Deixe-me só.
com meus tormentos.

Eu não tenho educação.
Não quero perdoar.
Não quero acreditar.
Não quero ofertar.
Não quero ajoelhar.
Eu vou me perder por ai.
Foda-se, deixa rolar…
Vá à merda com suas crenças.

Quem (seja lá o que) me criou,
me fez assim (a esmo).
É problema dele,
o que fazer de mim.
Faça como eu,
Cuide de si mesmo,
(eu sei que você pode)
Tente!

 
 

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