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Os cafajestes

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Quero os cafajestes, barba por fazer, cara de safados que não fazem questão de dizer sequer o nome. Odeio os românticos, que gastam a lábia tentando provar que não querem foder logo na primeira noite.
Dia desses, escolhendo a porra de um sanduíche na hora do almoço, esbarrei meu professor de química, um gato, caralho! Como é mesmo o nome dele?!!, sei lá, que se foda,-esqueci. Comecei a sorrir e logo dei um beijinho no rosto, Paulinha, 3ºC, você se lembra de mim? Fui logo me oferecendo, caralho, parecia galinha mesmo! Papo vem papo vai, sentamos e almoçamos juntos. Trocamos números de telefones e logo fomos embora.

Aos domingos eu fico empoleirada no sofá, adoro! Domingo é dia de descanso, não me chamem pra porra nenhuma, fico o dia todo de pijama, descabelada, com meu i-phone grudado na orelha, uma panela de brigadeiro no fogão, que visito regularmente durante o dia.
Não é que o filho da puta me ligou no domingo! Putz, esse vale a pena, pensei. Mas, barzinho na vila com uns amigos dele, tô fora! Dispensei contrariada, porra, meu! O homem tem que ser mais criativo, aposto que ficam discutindo as combinações químicas das bebidas que tomam enquanto beliscam bolinhos de carne seca, porra, meu cu! Não rola.
Resolvi mostrar como é que se faz, fui na porta do colégio, e esperei ele sair, era segunda feira e estava uma puta chuva, deixei meu carro num estacionamento próximo e fiquei em frente ao portão, com uma carinha de quem precisava resolver uma equação. Fiquei sob a marquise da entrada da escola e cara de pidona.
Uma hora depois, estávamos rodando sem destino pela cidade. Meu!, esse cara é um tesão!!, deu vontade de pegar no pau dele dentro do carro mesmo, mas ele estava muito atrapalhado, não estava entendendo nada. Eu percebi pelas musicas que ele escutava no carro. Cara decidido que sabe o que quer não fica mostrando o novo som de uma banda mineira, porra meu cu! vá se fuder! Pluguei meu pen drive e começamos a navegar pelo meu universo, percebi que ele estava curtindo, o transito não ajudava naquela hora da noite, meu celular não parava de tocar, esses viados não me deixam em paz mesmo! Acho que eu dou pra qualquer um? Escolho minha caça, só dou se rolar tesão.
Estou a fim de meter com você, falei descaradamente. Poucos minutos depois, eu já estava engolindo o seu pau, enquanto ele me levava pra casa dele, tentando dirigir com as mãos enfiada na minha calcinha.
Sou puta sim! Mas cá pra nós, sobre os lençóis: O cara é fraco, nada a ver! Sou muito mais, o meu marido.

 
 

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A farsa de um agente

Caminhava pela estrada de terra rumo a rodovia para encontrar um posto de gasolina. Meu carro estava 1450178_211609315686254_1868628989_ncom o marcador de gasolina quebrado e achei que seria possível chegar ao posto mais próximo. Por vários motivos ainda não tinha arrumado este defeito e naquela estrada, com um galão na mão, pensava sobre isto.

O que será que faço neste mundo que me faz passar por situações tão absurdas como esta, ficar sem gasolina no meio de uma mata numa estrada cheio de buracos em São Sebastião? Será que preciso aprender a ser mais organizado? Será que estou sendo punido por atitudes de outras encarnações, será que é necessário acontecer isso comigo mesmo? Porque não tenho controle de me safar das intempéries da vida? Eram muitas perguntas em minha cabeça, além do fato de estar com uma puta dor de cabeça provocado por uma renite que a muito tempo não cuidava.

Comecei a entrar em um labirinto de respostas vindas de pensamentos que não me eram familiar. Assistia uma guerra de acusações ao mundo e lembrava das reuniões filosóficas que tinha aos dezoito anos com meus amigos de bar, bravejando bêbados, ideias absurdas sobre a vida.
Cheguei a uma conclusão meio sem pé nem cabeça que foi se desenrolando durante a caminhada até o posto de combustível.
Não sou agente da minha vida! não há como ser. Não é possível o livre arbítrio para os seres humanos nem mesmo para as bactérias mais microscópicas. Não tenho controle do que faço, nem mesmo escolho entre uma roupa ou outra. Tudo é uma ação original espontânea e universal que cabe a mim apenas reagir.
O fato de pensarmos ser o dono da ação é devido ao fato de sermos naturalmente orgulhosos de uma imagem de si que é totalmente falsa. O mundo vem a mim e eu reajo a ele. É simples assim! Mas aceitar isto é a mais difícil das tarefas. Esse fato desconstrói a presunção de sermos aquele que realiza e é premiado por suas ações. Então podemos ir aos fatos concretos e desmascarar este agente que imaginamos ser.
Em primeiro lugar, devemos entender que somos todos parte integrante da natureza, e que como partes, participamos dela, não a conduzimos. Somos engrenagens que se encaixam em um movimento manifesto que se apresenta diante dos nossos sentidos.
Tudo que achamos ser uma ação é na verdade uma reação, determinada por um ambiente que reagimos com nossos instrumentos intrínsecos e herdados pelas circunstancias que foram ao longo da vida apresentadas.
Que força interior move um alpinista a escalar o monte Everest? Que desejo faz com que eu fume, sabendo que me faz mal, que eu beba sabendo que ficarei bêbado, que eu dance e me achem tolo, que eu viaje para descansar e volte mais cansado ainda, que eu me case sabendo que isso privará muito minhas ações de liberdade, que eu ame alguém que não me ama?
Todos os desejos que nos movem, brotam inconscientes em nossa mente e vão se expandindo até que se realizem e tornem-se manifestos. Somos instrumentos do mundo que quer se conhecer, diria alguém poeticamente. Eu diria que reagimos ao mundo pelas possibilidades individuais de acolher a sua vontade de ação.
Estou andando na rua e alguém irritado me xinga, me humilha, ameaça me agredir se eu não sair da frente dele. Olho pra meu interior e vejo que sou covarde e que não gosto do embate, ignoro e continuo meu caminho e depois julgo-lhe por ser simplesmente um estupido, confortando minha covardia e aceitando meu comportamento. Estou ciente do que sou, do que quero preservar como identidade adquirida. Alguns passos adiante encontro um revolver carregado à beira da calçada, perdido por um policial relapso, ponho em minha cintura e continuo a caminhar. Pensamentos diferentes começam a vir em minha mente, por que? Por qual motivo? Talvez porque agora eu posso ser mais forte do que minha covardia. Volto pelo caminho onde fui ameaçado e atiro na pessoa que me ultrajou sem que não houvesse motivo algum de me ofender. Fico pensando onde estaria minha ação neste caso e não a encontro de forma alguma.
Estas ideias começam a se multiplicar em minha cabeça, quando minhas mãos começam a doer carregando o galão cheio de gasolina fazendo o caminho de volta ao meu carro sem combustível. Debato comigo mesmo o exemplo pensado a pouco e começo a negar minha reação de vingança e assassinato. Surge a possibilidade de ter sido diferente o quadro do acontecimento. Imediatamente vem em mim um estado de revolta e dor, por ter sido tão idiota ao ponto de deixar faltar gasolina no meu carro e estar sofrendo com dores horríveis em minhas mãos, tendo que carregar esta porra de galão. Começo a me xingar e me revoltar comigo mesmo. Um carro vem em minha direção cheio de pessoas rindo alto e parecendo drogadas, olham pra mim e gritam alto: Se fodeu, seu trouxa! Depois partem rindo mais alto ainda e olham pra traz com zombaria e desprezo. Meu estado emocional altera muito e tenho vontade de ter o revolver que tinha na minha imaginação. Então penso como sou apenas um reagente dos fatos.

fotos-emocionantes-27Nada que acontece esta sobre meu comando, estou sendo levado a caminhos sempre diferentes de estados racionais e emocionais. O mundo externo influencia tudo que devo fazer sem que eu possa escolher. Se ajo apenas diante do apresentado, como pode ser isso uma ação? Se diante das circunstancias já fica predeterminado aquilo que devo fazer por ser a única escolha possível, pois sou guiado a realizar o que é da minha natureza fazer.
Lembro de exemplos banais do passado e tento contestar esses pensamentos, mas o primeiro que me vem é de onde veio esse próprio pensamento? De onde vem os pensamentos que passam na minha cabeça, por quem são enviados, quem deu a autorização deles virem a mim? Por que não ficam em uma estante imaginaria e vou a eles para escolher qual deles devo pensar? Se não sou dono do que penso, pois não os escolho, sou apenas um espaço-tempo onde eles se manifestam, então, apenas reajo a eles e os deixo conduzir minhas ações, que fica claro aqui que são só reações.
Planejo minhas férias para um praia bem legal, levo em conta todas as possibilidades: Dinheiro a ser gasto, pois o lugar tem o seu preço, não fui eu que os fiz.
Também considero as praias próximas e quem os frequenta. Elas já estavam lá com seus atrativos e foram oferecidas a mim o que poderia agradar-me nelas, não fui eu que criei nenhum atrativo para elas, apenas reagi as suas possibilidades.
Os turistas que frequentam tais praias tem suas características, tais como: educação, rodas de samba ou lual, povoamento, exageros, consumo de álcool, etc….
A infraestrutura, distancia a ser percorrida, o comportamento do mar, se é bravo ou calmo, se tem ondas ou parece uma piscina, etc…. Todas estas possibilidades vão ao meu interior e lá se encaixam naquilo que eu espero ser o prazer que preciso para estas férias. Então neste momento existe escolha? Penso eu. –Negativo, não existiu em nenhum momento escolha alguma. Você tem férias porque seu stress e seu corpo precisam de novos ares para se recuperar, houve escolha aí? O lugar aonde você escolheu para ir está dentro de todas as possibilidades de um quadro interno que você não criou, foi-lhe direcionando e você foi tendo a impressão de ser suas as escolhas, mas não foram.
Escolha agora fazer qualquer coisa que não esteja de acordo com uma autorização externa e perceba que não poderia. A vida que te guia não é sua, a própria sensação de ser uma vida é uma ilusão.
Colocando gasolina no tanque de combustível, pensei em acender um cigarro, mas outro pensamento veio e proibiu. Pensei em voltar pra casa e desistir de ir a algum lugar, mas outro pensamento veio e me deu incentivo de ir adiante. Entrei no carro e pensei em ir até um quiosque para tomar uma cerveja e comer uns camarões, antes porém, outro muito mais forte me ordenou passar no posto de combustível e completar o tanque, enquanto que outro dizia que já podia fumar…
Existe um turbilhão de possibilidades acontecendo dentro da tua e da minha cabeça, mas existe somente uma coisa a fazer, nunca há dualidade. Somente uma ideia de probabilidade mal compreendida, um sonhar acordado que não tem função objetiva nenhuma.

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Assim que cheguei ao quiosque, vi que estava muito cheio e havia muitas pessoas ali tomando cervejas e comendo seus petiscos, poderia escolher ir a um outro lugar, pois eu queria um pouco de privacidade e sossego, mas as circunstancias me fizeram parar ali mesmo. Mas, por que? Pensei. Logo me veio a resposta: os acontecimentos é que acontecem, não eu que aconteço, eu apenas sou guiado a presenciá-los, pois todos os fatos só fazem sentido diante da minha reação a eles, se assim não fosse, uma peça estupida e sem graça poderia ficar anos em um teatro sem que a reação da plateia as influenciasse a sair de cartaz ou mudar seus personagens enfadonhos.
Só a reação pode mudar a ação externa e não a ação mudar uma reação. Quer dizer que ao reagirmos mudamos o quadro externo? Sim e não ao mesmo tempo. Sim se você estiver desperto e ignorá-lo e não se você se importar com ele ao cabo de transforma-lo em novas reações.
Explicarei mais tarde esta afirmação, pois o fato mais lógico que percebo até agora é que reagimos à reações. O verdadeiro autor da ação é desconhecido neste quadro, iremos a sua busca em breve, antes porém temos que desmascarar uma outra grande mentira: A existência de um Eu que se intitula o autor da ação.

CONTINUA EM BREVE

 
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Publicado por em 05/01/2014 em crônicas, TEXTOS DIVERSOS

 

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Carro zero, estupidez comprovada

Acabamos de receber mais um troféu, este sim, é motivo de chacota para a comunidade mundial, somos agora o País que vende o carro mais caro do mundo. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/141851-o-mais-caro-do-mundo.shtml . Um país que tem uma distribuição de riqueza absurda, onde 5% da população retém em suas mãos mais 90% de toda a riqueza aqui gerada, tem agora a ousadia de se dar ao luxo de vender o carro mais caro do mundo. Isto só fortalece o crescimento dos nossos bancos, a maioria da frota de carro em circulação nas ruas deste País pertence sim, aos nossos bancos, caso não paguemos suas prestações absurdas, eles tomam-no de nós.

Comprar um carro é um excelente negócio, primeiro vamos à loja e escolhermos o modelo que cabe no nosso bolso, então o banco vai aprovar a sua escolha, vai analisar seu potencial de crédito para depois permitir que você o tenha.

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Próximo passo, sair com ele da loja e receber um compromisso de 60 prestações, onde fica estabelecido que seja seu o direito de guia-lo. Mas não lhe qualifica como dono real, é apenas uma posse ilusória, mas o melhor de tudo é que existe uma conta bem legal de ser feito, acompanhe-me.

Suponhamos que o carro que não é teu, até que você pague até o ultimo tostão ao verdadeiro dono (o banco), lhe custe à quantia de R$ 30.000,00 reais a vista, mas ao final da quitação da sua divida este carro lhe sairá por R$ 60.000,00, mas o melhor vem agora, este carro que você pagou a quantia de R$ 60.000,00 tem um valor de mercado aproximado de R$ 10.000,00 ao final de 06 anos. Parabéns, você pegou R$ 30.000,00 ao banco dando em garantia um carro que tem valores em outros países aproximados de R$ 12.000,00, agora o banco vai querer que seja pago o dobro do preço e ao final do pagamento você tem um bem que vale menos de um terço do valor na loja.

Ficou feliz em ter um carro novo? Continuemos então, você ficará mais ainda…

Este belíssimo carro (que ainda não é seu) tem algumas despesas, você deverá conhecê-las. Você terá que abastecê-lo com combustíveis totalmente nacionais por um preço mais caro do que os países vizinhos vendem, mesmo levando em conta que este combustível é por nós mesmos fornecidos a eles, ainda correndo o risco de ser “batizado”, sendo misturado com agua ou álcool, prejudicando o motor e peças essenciais ao bom funcionamento do veículo. Isto acarretará despesas com mecânica que não foi citado no ato da compra.Wall-Street

Este carro deverá assumir uma despesa pelos direitos de usar as ruas maravilhosas de nossas cidades, o IPVA, um imposto obrigatório que cobram pela conservação das ruas e estradas. O único problema é que se você cair em um buraco destas ruas ninguém vai lhe ressarcir, ou se for brigar por esse direito, nosso processo judicial vai demorar vários anos até que se receba algum dinheiro que não cobrirá sequer a mão de obra do mecânico, nem mesmo peças da suspensão avariada pelo buraco.

Então funciona assim: Você é obrigado a pagar pela conservação das ruas para andar com seu bonito carro (mas que ainda não é seu). Não adianta, porém, reclamar se estas ruas não forem conservadas, nem se o carro sofrer danos e perdas irreparáveis ao seu bolso, pois irão dizer que sua condução não é habilidosa e foi culpa sua não ter desviado do buraco, mesmo correndo o risco de bater em outro carro.

Muito bem! Estamos indo bem, não se apresse! Agora vamos falar da segurança do carro.

Recentemente ganhamos mais um belo prêmio. O nosso “Celta”, carro produzido pela GM, recebeu notas vergonhosas de segurança http://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2011/11/24/carros-vendidos-no-brasil-dao-grave-vexame-em-crash-test.htm, é mais fácil morrer em um acidente com um carro destes estando dentro dele do que fora dele. É melhor ser atropelado por um Celta do que estar dentro dele. Mas tudo bem! Existe também o seguro obrigatório que deve ser pago para que se receba premio por invalidez ou morte causado por acidentes de carro.

Porém se você não pagar este seguro seu carro pode ser apreendido imediatamente, mas se por uma má sorte você tiver que usá-lo será necessário anos de espera, pois ninguém tem culpa da sua falta de habilidade em dirigir em nosso transito totalmente caótico.

Agora vem o melhor de tudo, como este é um ótimo negócio e todos querem ter um, um mercado alternativo se ergue para terem peças roubadas para a sua reposição. A indústria seguradora torna-se sócia da indústria do furto e roubo. O banco vai lhe cobrar em media 10 % do valor do seu carro por ano para que este carro fique seguro em suas mãos, caso seja roubado, bata ou pegue fogo você será indenizado. Este carro que custa R$ 12,000 em qualquer lugar do mundo e que você comprou por R$ 30.000,00 e vai pagar R$ 60.000,00 ainda vai lhe custar R$ 2.500,00 anuais para que seja protegido.

Ao final de 06 anos acrescente mais R$ 15.000,00 de seguro. Consta ainda mais 6% em media de IPVA e seguro obrigatório, ou seja, acrescente mais R$ 1.800,00 em média anual ao custo total do carro, o que daria um montante de R$ 10.800,00 para os próximos seis anos a ser acrescentado ao valor do carro (que ainda não é seu), considere que você é um ótimo motorista e que aprendeu a desviar dos milhares de buracos e que conserve bem o motor com as trocas de óleo necessárias ao bom funcionamento do carro, ainda assim a maioria das peças de um carro popular são feitas com material mais barato e de pouca durabilidade, então para ser bem otimista este carro vai lhe dar apenas mais R$ 1.000,00 em despesas anuais de conservação. Totalizando mais R$ 6.000 em seis anos.

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Até agora este carro esta lhe saindo por R$ 91.800,00 em seis anos de uso e se ao final de 06 anos  você conseguir vendê-lo por R$ 10.000,00 você é um bom negociador.

Não estamos considerando os imprevistos e gastos extras que comprometem nossos orçamentos que não permitem que paguemos em dia a prestação do carro. O banco vai te dar multas e mora por atrasos que podem aumentar a prestação em 30% em média. Reze, então, para que nos próximos anos, não precise passar por cirurgias, não perca o emprego, não seja roubado, não sofra acidente, não caia de cama, etc.

A boa noticia é que esta em suas mãos brecar esta roubalheira toda. O único problema é que estamos errando o alvo, lutando por mudanças sociais para que possamos viver um uma sociedade mais justa, mas temos insistentemente batendo da tecla errada.

Sair às ruas para manifestar nossa insatisfação por aumento de tarifas de ônibus não trará nenhum resultado satisfatório, estaremos apenas dentro dos limites permitidos de insubordinação ao poder. Como dizem por aí o negócio é mais embaixo. É claro que estamos em um novo quadro de informação, o acesso à internet tem nos dado informações nunca antes permitida, é pena que a maioria esmagadora considere-a apenas um instrumento de ociosidade, uma vitrine de vaidade de valores inúteis.

Para que saibamos como realmente afetar esta atual estrutura é necessário saber quem esta por trás desta farra do boi, não adianta discutirmos teoricamente como deveria ser nosso país, como deveriam ser nossos políticos e a maneira correta de nos desvencilharmos do jugo a que nos submetemos. Precisamos antes de tudo, termos uma nova consciência diante deles. Precisamos quebrar a economia, infelizmente, para que ele seja refeita. Isto que a imprensa junto com a mídia (formadora de opinião e desejos) está fazendo com nossa mente é digno de uma resposta á altura. O verdadeiro algoz é o poder financeiro, que aparece como o cordeiro, mas é o lobo faminto e voraz conduzido pela má riqueza distribuída em nosso país. Os bancos bilionários, as indústrias gigantescas que engolem todas as suas rivais e a concordância politica em aceitar que seja assim, distribui o verdadeiro poder para uma minoria extremamente avida pelo controle social, politico e financeiro da população. Isso implica dizer que nosso governadores tem patrões que os bancam e exigem que cumpra uma cartilha.

Não adiante ficar dando murros nos joelhos de um gigante é necessário acertar o fígado, a única forma de não sermos ganhadores de prêmios estúpidos, como comprar o carro mais caro do mundo é não comprá-lo.

Infelizmente anos e anos a mídia covarde e controlada pelos gananciosos tem lhe dito que um novo carro é um sonho de consumo que lhe garante felicidade, e você tem aceitado isso como verdade, mas o que foi dito acima prova exatamente o contrário: é uma roubada.

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Suspenda por alguns meses todos os seus projetos em aquisição de bens de durabilidade, reforme seu carro velho, compre um usado um pouco melhor que o seu, negocie tudo com sua mente viciada em adquirir coisas novas e convença-a a desejar menos, em poucos meses nós deixaremos de sermos reféns destes filhos da puta. Eles saberão que temos como atingi-lo e que as regras podem ser mudadas para que tenhamos um pouco mais de chance de ganharmos como cidadãos dignos que pagam um dos impostos mais caros do mundo e temos um dos piores retornos sociais do planeta.

Não precisamos sair nas ruas com o risco de levar pauladas e gás lacrimogênio, simplesmente segure sua fome de consumo por algum tempo, isso sim o fará repensar como deveríamos ser respeitados por sermos na realidade o verdadeiro motor da economia. Todos nós juntos somos o verdadeiro poder, mas não apenas uma parte, não apenas alguns amigos que irão ler e pensar: -É!, faz sentido. Não, não é assim, este texto deve circular e difundir por todo meio de comunicação que for capaz de ser compartilhado e mesmo que muitos não entendam assim, ao menos saberão quais são as regras desse jogo desumano.

Marcos tavares

 
 

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A grande ilusão do eu

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Cada vez que você lê o que eu escrevo, você lê o que interpreta dentro de você, nunca vai ler o que eu quero dizer realmente, pois o que eu quero dizer pertence apenas a mim e ao meu universo. Embora, eu saiba que seja difícil entender, em verdade, cada um tem seu próprio universo.
As minhas palavras vão passar pelo seu filtro interpretativo para depois serem conhecidos pela sua razão.
Todas as vezes que olhar para si mesmo, não verá a realidade de um ser, mas a imagem construída de alguém que você se identificou a vida toda. Nunca esse ser humano que você diz ser “EU MESMO” será o verdadeiro ser que você é.
Até ao dizer estas palavras, primeiro, este hóspede (que você acha que é você) vai achar que é com ele que estou falando e vai de imediato me chamar de idiota. Como se fosse possível haver outro alguém dentro de você. Pois é, aí reside o problema! Você vai procura-lo no lugar errado.
Não existe ninguém aí pra você confrontar, dar uma boa olhada e dizer: Então este sou eu. Enfim achei você que se diz ser EU, desista desta procura, é um conselho de quem não fez outra coisa nesta vida além de procurar algum SER REAL dentro de si.

O olho que tudo vê

A realidade ultima do ser não pode ser conhecida, pois é ele que esta conhecendo, assim como o olho não pode se olhar ou o dedo não pode tocar a si mesmo.
Entendido isso, vamos então, mudar de assunto, o que eu digo é inútil para minha vida e não vai me levar a lugar nenhum. Você poderá pensar assim, lendo estas palavras. Mas será mesmo?
Se existe alguém ou algo que observa tudo que sou e não pode ser observado, então o que é visto (neste caso, aquele que você chama de EU) não é a verdadeira consciência, o verdadeiro observador, visto que é você que observa o mundo e tudo que nele contem, incluindo aquele que você chama de EU mesmo! Não deixa de ser uma visão, uma ideia de si na falsa interpretação desta realidade ultima.
Palavras podem ser invalidas na mente de quem não tem interesse de ir além, assim como este texto está direcionado á quem dele souber tirar proveito, eu apenas reforçarei o que digo, para que aqueles a quem for dirigido estas palavras possam ter o seu sentido aproveitado no alivio de muita incompreensão que, como nuvens carregadas, escurecem a nossa visão e pensamentos.

O mito da humildade

Quem sou eu? Esta é a pergunta que se faz agora e talvez a pergunta mais feita pela humanidade e de forma alguma tenho eu a pretensão de responder esta pergunta.
Eu não sei quem sou eu, mas sei que não sou esta pessoa que vejo viver no mundo. E isto para mim, neste momento, é suficiente saber.
Agora que descartei ser o que é visto, basta seguir adiante sem esta ilusão. Então as coisas que me importava tanto em mim, começam a ser menos importante, começo o processo da não identificação com o corpo e mente que imagino ser eu.
Enfim o processo da humildade se instala em mim e pareço menos apegado a esta imagem que faço de mim. Pode não parecer, num primeiro momento, que isto tenha algum valor para você, muito pelo contrário, ser humilde é para pessoas incapazes e derrotadas. Eu vou lutar por mim! Pensaria você assim, esse papo de observador e observado é uma falácia. Não julgue com tanta pressa esta palavras, pense um pouco! O estado de realização e compreensão precisa passar pela anulação de si. Parafraseando Jesus “Aquele que quiser salvar a sua vida a perderá, mas aquele que perdê-la a salvará

 

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